QUAL SEU MELHOR TEXTO DO RECANTO DAS LETRAS?

O meu é fácil de dizer. Foi o meu primeiro texto.
O primeiro texto que você lê ao entrar na minha página. Meu texto de estreia.
Minha descrição de perfil.
Um texto, em estilo, muito diferente dos atuais.
Justamente o primeiro e o mais difícil de todos: falar de si.
A diferença do Ocidente para o Oriente é que aqui se pergunta o que se é e se responde, muitas vezes, onde trabalhamos, onde estudamos ou com quem fomos casados, como se isso dissesse algo sobre nós e não fossem meros acasos.
No Oriente costuma-se definir aquilo que se considera essencial, para além das aparências da profissão.
Mas ainda assim longe da descrição ideal.
A verdade é que muitas pessoas vivem sem saber quem são.
Ou, quando finalmente se perguntam sobre si mesmas, já está quase na hora de morrer.
Perder tempo escrevendo sobre quem se é? Para quê?
Melhor seria escrever um currículo, não é mesmo?
Meu texto inaugural, o primeiro, o de entrada, continua sendo o melhor.
Foi escrito há seis anos. Desde então, pouco ou quase nada mudei nele.
Aos meus invejosos detratores que dizem que meus textos são fruto de IA — e não a IA, que é passada pela minha inteligência humana e original — como explicar que meu melhor texto, justamente aquele que mais fala de mim e me define, tenha sido escrito muito antes da criação das inteligências artificiais generativas?
Nela não houve influência de nenhuma vírgula produzida por máquina.
Aliás, como não há em praticamente nada do que escrevo. E principalmente do que penso.
Apesar disso, ele é muito diferente dos atuais.
Nele há mais preocupação com estilo. Com períodos composto e longos. Com elaboração literária.
Os textos de hoje são diferentes.
Resolvi mostrar meu amor pelo cinema através da escrita.
Transformei cada texto em uma espécie de roteiro.
Cada um possui uma estrutura previamente pensada.
Como uma história particular. Um enredo. Os períodos longos deram lugar a frases mais curtas. Mais diretas. Como diálogos. Como legendas. Como as cenas dos filmes que assisto quase diariamente.
Mas não se engane. Existe muito método nisso.
Existe enorme preocupação com forma. Com estrutura. Com começo, meio e fim. Assim como toda história de amor. Tudo rigidamente pensado.
Como se cada texto fosse realmente um roteiro original.
O resultado é uma voz autoral que, mesmo sem assinatura, acredito que seria reconhecida como minha.
Quando digo que hoje minha preocupação é escrever textos capazes de agradar pessoas como a princesa Helena do meu bairro, não significa que eu esteja tentando diminuir meu pensamento para torná-lo acessível. Pelo contrário.
É reconhecer que nem tudo aquilo que considero bom, valioso ou aristocrático é necessariamente superior ao interesse dos outros.
É reconhecer que saber se comunicar também é uma virtude.
E que me interessa conversar com pessoas dos mais variados repertórios. Desde que possuam bom gosto. Ou disposição para enxergar beleza.
Minha tentativa é compartilhar aquilo que vi.
Fazer os outros perceberem alguma beleza que passou diante dos meus olhos.
E talvez ajudá-los a parecer belos aos olhos dos demais.
Ainda que eu não possa enxergar por eles. Os olhos pertencem a eles. Mas minha escrita funciona como um par de óculos.
Ela tenta ajudar a ver melhor. A enxergar melhor.
Se ela servir para o seu grau, seja de astigmatismo ou miopia, tanto melhor.
Se não servir, procure outros óculos. Ou um oftalmologista de verdade.
Aliás, aqui está ele. Meu texto de perfil.
"It was a dark and stormy night" — frase escrita e imortalizada pelo meu grande ídolo, o sábio, escritor e também pet, Snoopy.
Mas quem sou eu, afinal?
Sou um grego à moda antiga: inerentemente ligado às atividades intelectivas, à música, à beleza e aos esportes; mas minha maior paixão, contudo, é a política; a qual procuro exercer sendo um cidadão o mais coerente possível com a minha individualidade singular, longe das garras perniciosas do poder.
Traçando em pormenores bem inverídicos, posso até parecer, à primeira vista, um aristocrata que vive como burguês; contanto, o mais correto seria dizer que sou alguém que sequer é burguês, mas pensa ser um aristocrata.
Encontro-me aqui unicamente com a intenção de fazer fitoterapia das palavras.
Almejo, com isso, diminuir "a febre de sentir".
E, como disse o herói de Pessoa em Livro do Desassossego, "se o que deixar escrito... relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também".
Fica aqui um convite para conhecerem meus textos, que dialogam com literatura, cinema e, principalmente, filosofia, sempre relacionados à vida cotidiana e prática.
Aqui, também, vocês terão acesso à minha vida e aos meus pensamentos mais profundos.
Mas cabe uma advertência: Conhecer-me a fundo pode ser um caminho sem volta.
Mas também um convite ao prazer. (Às leitoras.)
No catálogo de amantes ideais inscrito na história pela literatura, me situo mais ao lado de Páris do que de Romeu.
Sei avaliar e cativar uma beleza divina, nem que para isso tenha que instaurar uma guerra contra toda uma nação.
Podem entrar. Sê bem-vindos.
Só não reparem a bagunça. É que estamos em reformas permanentes para recebê-los melhor.
A escolha do que publicar é exclusivamente minha. A decisão de ler ou não é sua.
INSTAGRAM: @Daveledave1991”