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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

A COPA DO MUNDO IMPORTA. E IMPORTA MUITO!

 




 

Futebol é a coisa mais importante entre os assuntos não importantes.

 

Ainda mais no Brasil: onde futebol é religião, religião é política e política é futebol.

 

E qual foi o melhor jogo até agora?

 

Certamente não foi Brasil e Marrocos.

 

E, ironicamente e tragicamente, pelo futebol do Brasil e não de Marrocos.

 

Nem mesmo nosso algoz, a Alemanha, que aplicou no time que certamente não é o melhor da Copa, mas talvez seja o de nome mais poético — Curaçao, que lembra coração, que lembra amor — mais um 7 a 1.

 

Agora nem a originalidade do placar contra os alemães o Brasil tem mais.

 


 

OS AMERICANOS JOGANDO COMO O BRASIL

Para mim, a melhor atuação foi a dos Estados Unidos, donos da casa.

 

Jogaram o futebol que se esperava do Brasil, não dos americanos.

 

Talvez influência do seu treinador argentino, Mauricio Pochettino.

 

Ele já havia praticado um belo futebol no Tottenham. Depois fracassou no PSG e no Chelsea, mas encontrou na seleção americana um cargo que parece estar vivendo intensamente. Sobretudo na dieta.

 

Pelo aumento significativo de peso e pela voluptuosa barriga exibida sob o uniforme de Coach.

 

Mas o futebol que seu time pratica também é pesado.

 

E fez grande partida contra o Paraguai, no jogo mais dominante e impositivo da competição até aqui, considerando a qualidade do adversário.

 


 

O PESO DAS ESCOLHAS

O ganho de peso não é um comentário supérfluo nem acidental neste texto.

 

Ele é fundamental como exemplo de como é difícil viver com equilíbrio e excelência.

 

Para focar em uma determinada área, muitas vezes precisamos negligenciar as outras.

 

Como o médico que recebe um vultoso salário, mas não cuida da própria saúde.

 

Como a pediatra que ganha muito dinheiro cuidando dos filhos dos outros, mas não dos próprios, que acabam sendo criados pela babá.

 

Como a família. Como a aparência. Como a cultura. Como a arte. Como o amor.

 

Tudo negligenciado numa troca por dinheiro.

 

E a Copa importa porque o dolce far niente é sempre uma oportunidade para pensar.

 


 

A BELEZA DAS ESCOLHAS

Não existe a maneira perfeita de viver.

 

Assim como não existe o esquema tático perfeito.

 

No máximo, conseguimos encontrar um equilíbrio ideal.

 

Uma partida de que gostei foi Turquia e Austrália.

 

Os turcos se impuseram, mas não marcaram gols.

 

E sucumbiram a uma linha de cinco e outra de quatro dos australianos, que mataram o jogo jogando no contraataque através de uma organização defensiva quase impecável.

 

E isso também possui sua beleza. Sua poesia. A poesia de alguém que estabelece um propósito, um objetivo, e o executa com maestria.

 

Ao contrário do Brasil. Que, como país e como seleção de futebol, ainda não sabe exatamente o que quer. Mesmo sob o comando de um italiano de currículo impecável. Que, até agora, ainda não mostrou a que veio.


ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 14/06/2026
Alterado em 14/06/2026
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