Já dizia Caetano Veloso: “Haiti é aqui”. O Haiti não é aqui”, em mais uma música chatíssima, mas com letra brilhante, como costuma ser sua característica. E, se ele não insistisse tanto em tocar violão, seria um grande escritor — quiçá até poeta.
Agora, outra citação inevitável neste jogo entre Haiti e Escócia é Galvão Bueno. Sim, ele mesmo, que nesta Copa não está na Globo, mas no SBT, numa sacada das filhas de Silvio Santos que certamente ele aprovaria e que deve tê-lo feito sorrir no túmulo ao saber da notícia:
“É que realmente não há mais bobo no futebol, amigo”. E o Haiti provou isso ao fazer um jogo duríssimo.
E pensar que, nos anos 90, uma das poucas empreitadas internacionais do nosso Exército Brasileiro — instituição que entende muito de golpes e de deixar pensões para suas mulheres, mas pouco, efetivamente, de guerra ou de proteger nossas fronteiras — foi justamente a atuação no Haiti.
Mas, durante o jogo, apesar de todos os jogadores haitianos serem incrivelmente fortes e parrudos, achei que, além da pausa para hidratação no minuto 22 de cada tempo — novidade desta Copa —, também deveria haver uma pausa para alimentação. Afinal, os jogadores do Haiti deveriam estar famélicos. Se esta Copa fosse disputada na década de 90, provavelmente estariam e não conseguiriam correr tanto quanto correm hoje.