
Ao contrário do que se acredita, as cartas de amor, como diz o poema, não são ridículas. Antes pelo contrário: quem, nessas ocasiões, em vez de gestos ou palavras bonitas, só sabe dar presentes, demonstra seu baixo valor como indivíduo e também o baixo valor que atribui à outra pessoa.
Se nunca lhe ocorreu nada para dizer a quem ama, o problema costuma ser um de dois: ou sua capacidade é limitada, ou a pessoa para quem escreve não lhe desperta nada que mereça ser dito.
Para compensar isso, compra-se o gesto e compram-se as palavras belas com bens materiais. Mas, quanto mais suntuoso o presente, menor tende a ser seu valor como gesto humano e romântico.
Só gente muito pobre acredita que presentes caros são demonstrações superiores de afeto.
Quando alguém se diz espirituoso, às vezes até no sentido religioso, mas valoriza apenas o material, revela muito mais sobre si do que imagina.
Mas essa Idade do Ouro não ficou na mitologia. A nossa é a verdadeira Idade do Ouro.
Pode vir Homero trazendo consigo todas as musas; mas, se não trouxer nada para dar, mandarão Homero embora. Afinal, nesta época, as palavras valem menos que a embalagem.