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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


A IGNORÂNCIA É A DROGA QUE MAIS MATA NO MUNDO

 


 

 


 

O ASSASSINO INVISÍVEL

O senso comum normalmente é o que costuma fazer mais vítimas fatais.

 

Quem permanece nele acredita que o maior problema do país, principalmente de saúde pública, é a corrupção ou as drogas ilícitas.

 

Mas a ignorância mata muito mais. E eu posso provar.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a hipertensão arterial está associada a aproximadamente 10,8 milhões de mortes por ano.

 

Sim.

 

Aquela pressão alta que o sujeito trata com a mesma seriedade com que lê a bula do shampoo.

 

Não cocaína. Não maconha. Não crack.

 

Pressão alta.

 

A diferença é que, em relação aos sintomas das outras, ela é mais silenciosa.

 

E muito mais destrutiva.

 

No documentário Muito Além do Peso, aparece um garoto de apenas quatro anos de idade obeso, hipertenso, sedentário, com colesterol elevado e diabetes.

 

Como ele conseguiu essa proeza ? Simples.

 

Alimentando-se exclusivamente de produtos industrializados de baixa qualidade.

 

A única diferença é que ele era um prodígio da obesidade e do sedentarismo.

 

O que Mozart foi para a música, ele era para a autodestruição metabólica.

 


 

OS ASSASSINOS RESPEITÁVEIS

A mesma OMS estima que o tabagismo mate mais de 8 milhões de pessoas por ano.

 

O cigarro.

 

Esse velho conhecido da humanidade que durante décadas foi vendido por médicos em propagandas de televisão.

 

Já o consumo nocivo de álcool é responsável por cerca de 3 milhões de mortes anuais.

 

Não porque as pessoas estejam morrendo de porre.

 

Mas porque o álcool trabalha com a paciência burocrática de um funcionário público exemplar.

 

Cirrose. Câncer. AVC. Infarto. Acidentes de trânsito. Violência doméstica. Homicídios. Suicídios.

 

O álcool mata tanto diretamente quanto por procuração.

 

E existe ainda outro assassino silencioso que sequer aparece nos filmes policiais: o colesterol LDL elevado.

 

Ele não invade bancos. Não troca tiros com a polícia. Não comanda facções.

 

Mas contribui para milhões de mortes cardiovasculares todos os anos.

 


 

O SENSO COMUM NÃO SABE CONTAR

Enquanto isso, todas as drogas ilícitas somadas — cocaína, anfetaminas, opioides, estimulantes e companhia — produzem centenas de milhares de mortes anuais.

 

Centenas de milhares.

 

Muito?

 

Sem dúvida.

 

Mas ainda infinitamente menos do que hábitos perfeitamente legalizados e socialmente aceitos.

 

Em outras palavras: os maiores assassinos da humanidade não costumam usar capuz.

 

Usam terno. Sentam-se à mesa conosco. Estão na geladeira. No maço de cigarros. No copo de cerveja. No excesso de sal. No sedentarismo. Naquela consulta médica adiada há três anos.

 

O senso comum adora imaginar o perigo como algo exótico.

 

A estatística mostra exatamente o contrário.

 

O perigo costuma morar dentro de casa.

 


 

O CASO DO ÁLCOOL

Aliás, o caso do álcool merece um capítulo próprio.

 

Segundo a OMS, ele mata aproximadamente 3 milhões de pessoas por ano.

 

Todas as drogas ilícitas somadas matam algo em torno de 600 mil.

 

Ou seja: o álcool mata cerca de cinco vezes mais pessoas do que todas as drogas ilegais reunidas.

 

O curioso é que ninguém entra em pânico ao ver alguém bebendo uma cerveja.

 

Mas basta aparecer um baseado numa fotografia para que metade da sociedade se transforme em especialista em saúde pública.

 

O álcool possui uma vantagem competitiva sobre as outras drogas: ele é socialmente respeitável.

 

Pode estar em festas de família. Em casamentos. Em confraternizações de empresa. Em reuniões de negócios. Até em cerimônias religiosas.

 

E justamente por isso seu estrago é tão grande.

 

Ele não mata apenas pela intoxicação.

 

Mata por câncer. Por cirrose. Por AVC. Por infarto. Por acidentes de trânsito. Por afogamentos. Por quedas. Por agressões. Por homicídios. Por suicídios.

 


 

A ESCOLHA DA IGNORÂNCIA

Enquanto a sociedade aponta para o traficante da esquina, boa parte da mortandade está sendo produzida por uma substância vendida legalmente em supermercados, anunciada em horário nobre e celebrada em propagandas de verão.

 

Nada mata mais do que a ignorância.

 

Porque ela não apenas produz vítimas.

 

Ela escolhe cuidadosamente quais vítimas prefere enxergar.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 11/06/2026
Alterado em 11/06/2026
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