Talvez eu tenha conseguido o impressionante recorde de seis meses e um dia. E a prova — ou melhor, o motivo — é bem simples. Elas aparecem nos meus textos. Quem me conhece também deve ser capaz de imaginar.
A masturbação nunca foi um tabu ou um problema para mim. Antes pelo contrário. Mas também nunca fui um masturbador compulsivo, talvez por preguiça ou simplesmente por não achar muita graça.
Durante muito tempo, eu acreditava que ficar sem me masturbar poderia causar algum problema sério. Talvez câncer de próstata. Talvez alguma patologia sexual. Afinal, vejam os padres católicos: passam a vida sem se masturbar e mal conseguem observar um coroinha sem que a hóstia lhes suba à cabeça.
É claro que não sou uma autoridade em medicina. Falo apenas como os bons filósofos empiristas: pela experiência própria. Depois de mais de seis meses sem desperdiçar uma sementinha, o único efeito que notei foi, talvez, uma pele mais lisa e com menos acne.
O mesmo vale para vídeos pornôs. Nunca achei muita graça neles. Já devo ter passado mais de um ano sem assistir sequer um segundo. Para esse propósito, sempre preferi recorrer à imaginação. Só lançava mão desse recurso mais agressivo quando a imaginação faltava por motivos diversos.
Sou alguém que escreve.
Minha imaginação costuma ser mais eficaz do que qualquer filme pornô.