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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


AS CORES JÁ SÃO TÃO BONITAS. E AS PESSOAS FICAM ACRESCENTANDO-LHES DETALHES.

 



 

CASAQUINHO

Reza a lenda que periguete não sente frio.

 

Mas, com esse texto, mesmo no calor, até elas vão colocar um casaquinho.

 


 

ROHMER

Vendo a paleta de cores do filme de Rohmer, este último que estou vendo, justamente chamado O Raio Verde, as cores são sempre quentes, vivas, quase escalafobéticas .

 

Embora ele mesmo não seja um dândi, ou seus personagens sejam dandis, e mesmo sem ter uma icônica paleta que remete às cores da bandeira da França, como Godard, é nítida sua preferência por cores fortes, vibrantes e quentes.

 

Ora, se nosso modo de vestir reflete nossa personalidade ou estado de espírito, como Hamlet sempre vestia preto, essa minha predileção por tons pastéis, neutros e sóbrios também não refletiria uma falta de cor para a vida?

 

Sabemos que uma roupa é ruim quando desbota muito facilmente. Então por que não buscar o tom absoluto da escala Pantone de uma cor?

 

Assim como Antoine Doinel, de Truffaut, buscava o vermelho absoluto na coloração das suas rosas.

 


 

COR ABSOLUTA

As cores, isoladamente, são sempre bonitas.

 

Exceto quando pessoas de mau gosto ficam acrescentando-lhes detalhes, imagens e logotipos ridículos, estragando toda a beleza da cor.

 

É por isso que, da próxima vez que eu for comprar roupa, tentarei exercer meu minimalismo sóbrio, mas colorido.
 

Com cores vibrantes, como as dos filmes de Rohmer.

 

Talvez uma camiseta amarela absoluta por baixo de uma camisa tão vermelha que pareça acender à noite. Esses tons que parecem estar ligados na tomada. Reluzentes. Neon. Verde fluorescente. Mas sem detalhes.

 

Como nada mais deselegante do que chamar atenção sem intenção, a camiseta amarela e a camisa vermelha precisariam do contraponto de uma calça bege e de um sapato caramelo. Pois até a beleza das cores precisa de equilíbrio.

 


 

DELPHINE

Delphine, nesse filme O Raio Verde, tira férias pretendendo ir para a Grécia.  Local que não sei por que imagino sempre colorido. Já o começo deste século, com todas as guerras, a gente sempre pensa em preto e branco. Porém, infelizmente, ela fica sem lugar para ir porque a viagem é cancelada.
Excelente oportunidade para viajar para dentro de si.

Questionar sua solidão. O modo como se alimenta. Com quem se relaciona.

 

Como ela diz que não consegue comer algo que tenha sangue ou batimentos cardíacos, por isso só come plantas. Mas se nega a comer uma flor. Elas são poéticas demais. E talvez coloridas demais para serem usadas como alimento por figuras tão vulgares quanto os seres humanos.

 


 

RESTART

Já eu, para não ter que comer uma flor, prefiro comer os animais mesmo.

 

A diferença é que, com a energia que consumo deles, pretendo fazer algo que eles não fazem para justificar o fato de eu estar os comendo. Talvez. Que é pensar. Escrever.  E me vestir bem. Coloridamente sóbrio e elegante. Ao contrário dos famigerados coloridos da minha época, da banda Restart.

 



Aliás, excelente oportunidade pra você ler o conto As Cores, que publiquei logo no meu começo do Recanto das Letras:

 

 https://daveledave.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=7236920

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 06/06/2026
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