EXIBINDO MEU QUARTO DE TAMANHO DE APARTAMENTO. MAS LUXUOSO.


Me identifico com o Japão.Tóquio.
Onde as pessoas são tão imersas nos próprios pensamentos que as ruas possuem um silêncio sepulcral. E limpas. Como os shopping centers de São Paulo.



A diferença cultural entre o Brasil — esse Ocidente influenciado pelos Estados Unidos — e o Japão é brutal.
Aqui se acredita no culto da pessoalidade e do personalismo.
Por isso as pessoas têm dificuldade de respeitar aquilo que é diferente da sua pessoa. Da sua casa. Como o espaço coletivo. No Japão, pelo contrário, impõe-se respeito pelo próximo.
Isso fica claro quando se pergunta a alguém dessas nações o que ela faz.
Aqui nos definimos pela empresa em que trabalhamos. Pelo que estudamos. Pela profissão que temos. Como se algo externo definisse quem somos. No Japão se diz do que se gosta. Como se é. O que define sua essência diante das demais pessoas.

No Japão, em Tóquio, onde o metro quadrado é caro, as pessoas moram em cubículos. Pequenos espaços.
Aqui ostentamos espaço como se isso fosse cultura ou luxo.
Minha casa me agrada justamente por ter proporções japonesas.






(esse é o meu outro quarto, que era meu, e o atual é o que era do meu irmão.)
E eu organizo — ou deixo bagunçadamente organizadas — as coisas de modo a facilitar meu dia a dia.


E principalmente as ações que gosto de fazer. Caderno e celular por perto. Notebook. Livros. Roupas de treino. Tudo para gerar o menor ponto de fricção possível entre mim e aquilo que gosto de fazer. E aquilo que não quero fazer eu procuro criar mais fricção. Pra mim, luxo é ter perto aquilo que preciso. Mesmo sendo coisas supérfluas. Luxos desnecessários. Dos quais eu poderia perfeitamente viver sem.
Com certeza os leitores têm casas maiores. Móveis mais luxuosos. Quintais espaçosos. Talvez até ursos domesticados. Mas esse é meu castelo. E não abro mão dele por nada. Mas pelo menos eu tenho dois quartos.