EU NUNCA SOUBE USAR “DROGAS”

Sabe esse quadro em que o Gregório Duvivier come um brownie inteiro, sendo que o recomendado era comer só metade?


https://youtu.be/nK-dAC3yugs?si=iiVVKjfsqvho_NWC
E aí o pedaço bate e ele começa a ficar loucão?
Fazer arte com fezes, sequestrar o Otávio Mesquita, balançar o pau na janela?
Esse sou eu nas minhas tentativas de comer “brownie”.
E tem gente, que mesmo ele com barriga profusa e barba desgrenhada, que chega a desconfiar que eu não sou mais bonito que o Gregório.

Como podem ter um mal gosto assim?
Por isso a Clarice o abandonou.
Caloria e sedentarismo não aceitam desaforo.
Voltando ao problema dos “brownies”.
Na maioria das vezes, nunca bate legal. E fazem emergir dois Davids diferentes.
O que me fez perceber que o eu único, uma alma intocável além do corpo, não existe. Existe um David insano. E outro que todos conhecem: a pessoa cordial, boa, culta, elegante e educada.
Nietzsche fala da importância de como certas substâncias influenciam nosso corpo, nossa energia vital, aquilo que ele chamava de potência de agir.
Relata como café preto o obscurecia. E bebidas alcoólicas, em pequenas quantidades, também.
Não obstante, dizia que bebidas fortes, destiladas, paradoxalmente, favoreciam sua produção. O mesmo vale para os alimentos.
No meu caso, álcool sempre favoreceu minha eloquência.
O “bom e velho Marx”, em determinado momento, também.
Mas houve um instante em que começou a me prejudicar. A ponto de até amigos me zoarem igual ao Gregório naquele esquete.
Agora, digamos, o brownie predileto do mercado financeiro. Esse, a princípio, até me fazia ser sociável. Mas quem me lê sabe que não foi bem assim.
E, de todos, é o que hoje mais me prejudica.
E me fazia fazer coisas dignas da esquete do Porta dos Fundos.
Apesar de tudo, eu tenho consciência de que, por mais brownies da Jamaica ou da Colômbia que eu tenha consumido, isso ainda é muito menos nocivo que outras porcarias que as pessoas nem chamam de droga.
Como alimentos hiperpalatáveis. Álcool. Cigarro. Ou principalmente: conteúdo. Literatura de má qualidade, filmes. Más companhias.
Tudo isso me parece muito mais destrutivo do que qualquer brownie.
Mas a hipocrisia das pessoas faz com que elas definhem. Com corpo e conteúdo decrépitos.
E ainda tenham dedos para apontar a suposta falha dos outros.
Enquanto eu fico cada vez mais culto, elegante e com percentual de gordura mais baixo.
Não por usar ou ter consumido brownie. Mas apesar dele. E pela resiliência de viver sem o subterfúgio do brownie.
Acho que o pior é quando alguém nunca consumiu brownie, nunca viveu seus efeitos prejudiciais, e ainda assim continua medíocre.
Esse está mais drogado do que qualquer dependente da Cracolândia. Um zumbi. Sem consumir nada. E sem sequer possuir uma experiência ou história pra contar. Sem viver, de fato. Esses são os mais tristes.