MEU SINCERISSÍDIO NO RECANTO DAS LETRAS
(quase uma delação premiada)

Eu quero falar principalmente de amor e sentimento. Eu gosto de chamar de amor. Talvez não no sentido de amor-romântico.
Mas, se considerarmos a definição de Espinosa, de que amor é o aumento da nossa potência de agir quando identificamos o objeto ou pessoa que a fez aumentar, sem dúvidas todas elas eu amo de alguma maneira.
Usarei obviamente pseudônimos para me referir às pessoas.
Mas, como isso é um sincerissídio, quase uma delação premiada, talvez nem adiante muito.
Double N. A fantasma. A que me fez escrever pra ela o texto Estou Apaixonado por uma Fantasma. Lindo. De qualidade literária incontestável. A pessoa que me fez entrar no Recanto há seis anos.
Então as Letras têm que agradecer primeiro a ela. E também quem gosta do que escrevo. E por isso eu sou grato. Mas só por isso mesmo.
Vocês sabem: não há ninguém mais transparente do que eu. A minha página é uma confissão maior que a de Agostinho.
Quem procurar me ler vai me conhecer melhor do que qualquer amigo ou parente. Talvez melhor do que eu mesmo. Acontece que são mais de 2.000 textos. E, se uma pessoa leu todos, só me resta amá-la.
Porém, nos percalços e momentos delicados, eu jamais recebi uma resposta generosa dela.
Ela, que segue mais de 1.000 pessoas no Instagram, que é privado e que me bloqueou, respondeu assim ao meu texto do Fantasma — que, na versão original, usava o nome dela:

Eu respondi, claro, que se ela escreve assim, tem tempo de seguir 1.000 pessoas.
E, se vocês conhecem a minha página, com certeza o problema dela não sou eu. E sim ela.
Ao contrário da rainha Helena. A pessoa sobre quem tenho muito receio de escrever. Porque essa, de fato, eu conheço. Sei que existe. E está “próxima” de mim. E próxima de amigos e conhecidos.
Então tomo muito cuidado pra não prejudicar em nada sua vida estável e confortável. Apesar de desconfiar se é de fato uma vida feliz. E com o amor que ela merece. E até prazer.
Me refiro ao prazer eudaimônico e não ao hedonismo. Mas, como amor também é prazer físico, por que não?
E mesmo eu sabendo que nem ela nem eu podemos responder, ela, por pequenos sinais que não podem ser coincidência, sempre mostra como está presente. Como tem carinho por mim. Como se me protegesse. Existe então uma cumplicidade mística difícil de explicar. Muito diferente da hermética Double N. Apesar de ela ter me bloqueado.
Mas no caso dela dá pra entender. Ao contrário da garota de nome italiano e duplo N.
Agora outra confissão:
como eu sei delas se me bloqueiam?
E aqui quero ser sincero.
Eu uso um desses visualizadores anônimos de Instagram.
Que permitem ver seguidores, reels e publicações, desde que o perfil seja aberto. E é assim que eu “stalkeio”, mas no sentindo Tarkovskiano No termo.
Isso quando me sobra tempo de lembrar em fazê-lo. Pela minha rotina corrida. Ou quando a curiosidade e a saudade impõem essa necessidade.
Agora, até o perfil da Double N é bloqueado. E só sei que ela segue mais de 1.000 pessoas. Com certeza 1.000 gênios.
Com quem talvez tenha aprendido a se expressar da maneira acima.
Eu sou muito bom em reconhecer pessoas pelo estilo com que escrevem.
E digamos que, mesmo ela tendo apagado sua conta, talvez não esteja de fato ausente do Recanto.
Sempre escrevendo coisas gentis e inteligentes. Fazendo justiça à sua beleza. Pra falar a verdade, pelo perfil dela, pelo que estudou, ela é de todas a que mais combina comigo. A que mais possui uma versão parecida comigo.
E que, se a gente passeasse num shopping ou praça, a harmonia das nossas aparências faria as pessoas pararem. E, se falássemos juntos, então pararíamos uma multidão. Gosto muito dela.
E, apesar de ser um prazer ser lido por ela, ela pode se gabar de que eu tenho ainda mais prazer em lê-la.
E, se não fosse a diferença de idade e geografia, poderíamos ser grandes amigos. E amantes. Quem sabe.
FLORA FEUERBACH
A única que já fez questão de contato físico. Me convidando pra sua cidade pra passar um fim de semana. Tão inteligente quanto orgulhosa. O que não permitiu maiores avanços.
Eu sei tudo da vida dela. E digamos que sei tudo dela, se é que me entende. Mas nós temos uma incompatibilidade que torna impossível qualquer contato. Mesmo distante. Mesmo de amizade. Apesar de ela ser muito bonita. E ter um corpo muito bonito. Que, digamos, eu já vi em todos os detalhes.
A única dessas que eu tenho no Instagram. E com quem tenho contato atualmente no Recanto.
Que eu sei, inclusive, seu nome pessoal. Embora só isso mesmo. Não vou falar que gosto dela como tia ou mãe. Porque isso seria dizer que ela é velha. Mas gosto dela como irmã e amiga mais velha. Quem me faz rir.
E por quem tenho enorme ternura, simpatia e carinho. E até a visitaria.
Se eu não fosse alérgico a gato e tivesse medo de cachorro.
E também, com tantos animais domésticos pela casa, não sobraria espaço pra mim.
E afinal de contas eu também nunca fui convidado.
Como é um texto de confissões, confesso que os textos eróticos que ela escreveu — e reconheço fazerem parte de outra fase da vida e literatura dela — me deram muita vontade de receber tal convite.
Eu amo todas elas à minha maneira.
Algumas de formas diferentes de amor. Talvez hoje menos a que mais amei. A primeira.
Porque, por mais que amemos, não podemos continuar amando algo que nos faz mal. Não é justo conosco.
E nem com o sentimento divino do amor. Por isso ela pode ficar sossegada. Não escreverei mais.
E não perderei meu precioso tempo pesquisando @ em sites anônimos ou fazendo buscas.
No lugar disso, guardarei meu tempo vendo belos filmes, lendo livros, estudando e principalmente escrevendo coisas belas com todo esse material.
Porque essa é a minha maneira de mostrar amor ao mundo.
E retribuir tudo o que ele me deu.