O “MENINO” QUE ROUBAVA ROUPAS

Agia com a mesma furtividade que a elegância com que se vestia.
Só agia em capitais da moda e do bom gosto.
Perto de eventos da São Paulo Fashion Week.
Paris, Milão, Berlim e Praga eram seus lugares preferidos.
Avistava sua vítima usando uma bela bota bege, por exemplo. Sua cor predileta. Ou um sobretudo overcoat, que adorava. Casaco longo de lã, com corte minimalista e estética smart casual.
Aproximava-se.
Quase sempre ele mesmo impecavelmente melhor vestido que suas vítimas.
E dizia sempre: “Adorei tal peça.”
E antes da vítima calcular o que estava acontecendo, golpeava-a com uma bag hand da Gucci, também bege. Elegantíssima. Na qual havia peso suficiente. Porque ele acrescentava boa parte do seu guarda-roupa nela para o golpe ser fatal o bastante para fazê-la desmaiar.
Mas jamais cometia assassinato.
Porque era um homem elegante. E o sangue, podia manchar sua roupa, que era difícil de limpar.
E achava o assassinato uma vulgaridade.
E completamente fora de moda.