O maior pesadelo de quem escreve é o símbolo da tecla do editor de texto piscando, piscando, aguardando o comando humano; a criatividade humana exercer a sua função de escrever — inutilmente —, pois a inspiração não chega.
Fellini, em Oito e Meio, fez um filme inteiro sobre isso: a falta de inspiração tornada obra de arte. Ele, que até então havia feito oito filmes, realiza o nono como um filme dentro do próprio filme — daí o título Oito e Meio.
E métodos criativos, há tantos. Mas a criatividade, ela mesma, é tão pouca.
Se a beleza do título já trouxesse consigo a beleza do conteúdo que acompanha, este texto seria uma obra de arte.
Afinal, ela própria — como o título, como o nome bonito — não é capaz de exprimir toda a sua beleza e conteúdo.
Cabelos dourados, pele alva, cachos.
Se Clarice a visse, eu risse.