
Por que fui ser liberal e, portanto, concordar com aquilo que Voltaire supostamente disse:
“Posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la.”
Se eu fosse carrasco, tudo seria mais fácil: era só mandar ele se foder. O “foda-se”, às vezes, é mais eficaz do que qualquer tentativa de diálogo. Mas, como sou civilizado e, fazendo parte da civilização, um signatário simbólico do contrato social de Jean-Jacques Rousseau, publicarei as respostas e comentários dele. Porém, como vivemos numa democracia, comentarei logo depois.


Ora, quando ele argumenta que não é “incel” porque simplesmente fala o que lhe vem à cabeça, então, se um dia vier à cabeça defender teses abjetas — misoginia, xenofobia, racismo ou qualquer outra atrocidade — deveríamos aceitar tudo passivamente? Porque o simples fato de alguém verbalizar o que pensa, se é que pensa, lhe daria salvo-conduto para dizer qualquer coisa?
Isso me lembra o episódio de South Park em que Eric Cartman usa a síndrome de Tourette como pretexto para ofender os outros sem ser repreendido.
Mas não deve ser o caso dele, claro.