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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

TODO SUICIDA É MEIO IDIOTA!

 


 


 

KARL MARX

Certa feita, eu estava fumando um bom e velho Karl Marx, quando um amigo — não sei se já sob efeito das “ideias” de Marx — disse que, segundo o espiritismo, quando uma pessoa se suicida ela voltaria anã.

 

Foi demais pra mim.

 

Quase tive uma síncope de tanto dar risada quando ouvi isso.

 

Ainda mais que ele disse sério e até preocupado.

 


 

SURTO

Esse amigo gostava tanto de Marx que teve um surto psicótico muito forte, típico de quem se adentra pra valer nas ideias de Marx.

 

O relato dele é que, em surto, ouvia vozes, demônios, que diziam pra ele pular do seu prédio.

 

Pra mim, quando alguém sob efeito de entorpecentes diz que viu demônio, sinceramente eu acho que ela estava apenas diante de um espelho.

 

Mas enfim, voltemos à questão do suicídio, que segundo Camus é o problema filosófico mais importante.

 


 

CAMUS

E é só por causa desse ensaio, O Mito de Sísifo, que usei o eufemismo de “meio idiota”, e não totalmente idiota, quem decide dar cabo da própria vida.

 

Pois, para Camus, a pergunta se uma vida vale a pena ser vivida ou não é a questão filosófica mais importante.

 

Eu tenho pra mim, às vezes, que alguns idiotas — ou meios — só não se mataram ainda porque são tão idiotas que sequer foram capazes de refletir sobre isso.

 


 

INTENÇÃO VS. CONSEQUÊNCIA

Clóvis também fala numa aula — acredito que sobre utilitarismo — que um aluno dele, negro e cadeirante, decidiu dar cabo da própria vida depois de uma aula sua.

 

Ele usa o caso como exemplo da diferença entre a ética das intenções e das consequências.

 

Pois, se avaliarmos o efeito pela intenção da aula do professor, ela foi boa, porque o aluno ficou mais lúcido.

 

Mas, pela consequência, com certeza ela foi negativa pelo efeito produzido no aluno suicida.

 

E aí: o que vale mais?

 

A intenção ou a consequência de uma ação?

 


 

SÍSIFO

O que eu sei é que Camus conclui seu ensaio dizendo que é necessário imaginar Sísifo feliz.

 

Apesar do absurdo que é a existência.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 16/05/2026
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