O ÓDIO AO LULA NÃO PODE SUPERAR O AMOR AO BRASIL

A política, como a vida, é o território das emoções e não da razão.
No Brasil, religião é política. Política é futebol. E futebol é religião.
Isso fica claro nos áudios recentes vazados de Flávio, que chamou Vorcaro de “mermão”, enquanto o banqueiro estava na igreja um dia antes de ser preso.
E quando o Brasil inteiro já sabia dos escândalos.
Talvez ele tivesse pedido por um milagre.
Que, assim como Remédios, a Bela, em Cem Anos de Solidão, fosse alçado aos céus do nada e ainda fugisse da prisão.
Quando o mais certo é que o diabo puxasse seu pé diretamente para o inferno.
Mas Vorcaro é um gênio da sociologia e quiçá o maior especialista da obra de Sérgio Buarque de Holanda.
Pois ele soube aplicar na prática corrupta o conceito de personalismo brasileiro e patrimonialismo.
Isto é: o entendimento de Vorcaro de que, para conseguir favores, tinha que ser amigo do poder, comprando-o através do dinheiro. Até ser chamado de “mermão”.
Emprestando seus jatinhos a ministros e contratando escritórios ligados ao Supremo. Vorcaro é radioativo. É um polvo cujos tentáculos vão para direita, esquerda e centro.
Agora, o que chama atenção no escândalo Master é como a direita de Flávio tentou atrelar Vorcaro à esquerda. Mas como ela está umbilicalmente ligada a ele.
Com o ministro da Casa Civil recebendo mesada e agora esse dinheiro do “filme”, que até agora a agência disse que não recebeu nenhum tostão.
Portanto, cabe perguntar se não era para caixa dois de campanha eleitoral. O que aí sim configuraria crime, ao contrário de uma produção cinematográfica.
O principal desafio para Flávio agora não é mais convencer o eleitor indeciso a votar nele. Depois dessa, esse não irá votar nele jamais.
Mas sim convencer o próprio eleitor bolsonarista de que ele não mentiu para eles.
Já que Flávio não revelou sua ligação de “irmão” com Vorcaro nem para ideólogos próximos. Pois isso é algo entre a família. Mais uma vez, eles administram a República como um negócio de famiGLia. Igual às máfias italianas. Personificando o patrimonialismo que confunde o bem público com o privado.
Lembremos: Bolsonaro, o líder da facção da orcrim criminosa, está preso.
Eduardo está foragido nos EUA. E Carlos Bolsonaro é… Bom, Carlos Bolsonaro é Carlos Bolsonaro e isso já configura crime e punição o bastante.
Flávio, cujo passado já o condenava com relação às rachadinhas, empregar a mãe do facínora Adriano da Nóbrega, miliciano, em seu gabinete, compra de imóveis em dinheiro vivo e atualmente chama um criminoso financeiro contumaz da República de “mermão”. Linguagem do submundo do crime carioca.
É por esses fatos que mesmo ao grupo do bolsonarismo só restou o ódio ao Lula. Esse sentimento de rastaqueras. Não gostar do Lula é legítimo.
Mas odiá-lo em detrimento ao amor ao Brasil, já que eles se dizem patriotas, para proteger e votar num mafioso, é ser o contrário aos interesses do Brasil.
Para derrotar Lula não vale tudo.
Tem que ser democraticamente pelas vias das urnas e não do sangue e da guerra. O ódio não pode prevalecer ao sentimento de amor.
Porque a política é o território das emoções, das paixões espinosianas, e não da razão.
Já que primeiro sentimos e depois usamos a razão para dar compreensão a nós mesmos ou justificar esses sentimentos.
