A VIDA SEXUAL DOS MÓRMONS
Eu vi um vídeo do Wilmar — popularmente não conhecido simplesmente como Souja, do canal RetroQuest, por absolutamente ninguém além de nerds como eu, que assistem vídeos sobre colecionismo de videogames mesmo sem poder comprar nada e, pior ainda, sem sequer ter real interesse nisso.
Um hábito aparentemente de família, aliás.
Meu irmão, por exemplo, possui o curioso costume de assistir vídeos sobre tapetes persas de mais de 12 mil reais e imóveis de luxo tão absurdos que fariam Ciro Nogueira precisar pegar lápis e papel para calcular quantas mesadas do Vorcaro seriam necessárias por mês para adquirir um apartamento daqueles.
Mas, além do RetroQuest, Wilmar possui outra franquia igualmente desconhecida, na qual fala sobre a vida nos Estados Unidos, já que mora há mais de oito anos num estado do interior americano.
E ele comentou algo curioso: segundo ele, os mórmons possuem o hábito de ter muitos filhos — algo que ele relaciona diretamente à religião.
Aqui no Brasil, nós conhecemos os mórmons mais ou menos como uma espécie de Testemunha de Jeová premium: mais bem vestidos, organizados e com uniformes que lembram escoteiros corporativos.
Eu mesmo me confundo às vezes quando eles tocam minha campainha.
Dependendo do horário, eu já respondo automaticamente:
“Hoje eu não tô a fim de comprar cookies.”
E às vezes me confundo tanto que respondo até em inglês.
Enfim, sinceramente, eu acho que o fato de eles terem muitos filhos talvez seja menos uma questão de fé e mais consequência indireta das outras proibições e da ausência de certas distrações tecnológicas modernas.
Porque, como sabemos, sem muito o que fazer, a diversão eventualmente vira outro ser humano.
E, convenhamos: é muito divertido fazer sexo com alguém da mesma espécie — especialmente do sexo oposto, que é minha preferência exclusiva, aliás. Que fique registrado para fins estatísticos e diplomáticos.
Mas isso tudo me lembrou um filme dos criadores de South Park.
Sim, um filme de verdade. Não animação.
Uma espécie de paródia softporn cult esquecida pelo tempo, na qual um mórmon retraído sai visitando pessoas e acaba envolvido em várias situações absurdas, constrangedoras e sexualmente catastróficas.
É como se misturassem South Park, Austin Powers e aquelas madrugadas espiritualmente perigosas da Cine Privé.
Não que eu seja grande fã de Austin Powers ou South Park, que fique claro.
Mas acabei encontrando o filme no Popcorn Time, em inglês e sem legenda.
Entendi o que meus cursos permitiram.
O que, sinceramente, não era muito difícil de compreender.
Até porque a experiência exigia menos interpretação textual e mais... observação contemplativa.
E digamos apenas que precisei pausar o filme várias vezes para resolver assuntos mais urgentes da vida adulta. Ou quase.
