ASSISTINDO "ACOSSADO", O MAIS ACLAMADO E PIOR FILME DE GODARD:


PARADOXO
Engraçado.
Um filme revolucionário que não tem nada demais.
Nem história.
Nem roteiro.
Nem continuidade.
Um filme sobre nada — mas muito bonito.
Parece um "homem com uma câmera" de Dziga Vertov, mas com um desfecho que resume toda a obra na icônica cena em que Jean-Paul Belmondo, o criminoso, se dá mal.
Como seu par adquire um gesto seu — passar as mãos nos lábios —, um tique nervoso.
De certa forma, sempre quando acabamos de fazer parte de uma obra de arte, carregamos conosco parte do autor.
Em outras palavras, também, quando se cria uma obra de arte, ela já não pertence mais ao artista, mas ao mundo.
Compartilhando a subjetividade que o autor quis passar com a interpretação pessoal do espectador.
Essa é a teoria da interpretação artística de Roland Barthes, que, fazendo crítica e pensamento, também faz arte.
Como seu conterrâneo Godard.
Como eu sempre afirmo: o pensamento também é uma forma de arte.
Assim como a beleza também é uma forma de pensamento.
Silogisticamente se conclui que, sim: por ter pensamento cinematográfico e beleza, logo, Acossado só poderia ser uma obra de arte.
