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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

QUANDO A "SOLIDÃO" BATER, A "ESCRITA" FALE POR MIM

 


 


 

A FRASE

Curioso.

 

Eu tirei essa frase justamente num momento de solidão e introspecção, ao seguir o conselho nietzschiano de sempre fazer filosofia caminhando, de não acreditar em juízos de valores que nascem sentados ou de uma vida “décadent”, como ele gostava de dizer, sempre em francês.

 

E a roubei de um popular.

 

À noite, gosto de andar apenas levando, no máximo, uma garrafa d’água e meus próprios pensamentos.

 

Foi num instante desses que um popular, com um violão, balbuciou uma sabedoria que é costumeira a esses loucos sábios que falam sozinhos:

 

“Quando a solidão bater, a viola fala por mim.”

 

Ora, que frase poeticamente sábia.

 

E que sorte a minha estar passando por ela com ouvidos limpos e atentos para escutá-la.

 


 

SOLIDÃO

E como ela é controversa e revolucionária.

 

E como dialoga com minha proposta solitária e eremita de caminhar.

 

A sociedade, como já diagnosticou Nietzsche em Zaratustra, desconfia muito da solidão.

 

Por isso sua necessidade de companhia e barulho.

 

Pois quem procura alguém é porque ainda não achou a si mesmo.

 

Assim nascem todas as crenças.

 

E a sociedade gosta do barulho.

 

As pessoas procuram as outras para copiá-las:para saber como se comportar, o que vestir, o que desejar.

 


 

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

E a necessidade incessante de estímulos, na qual o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é a sátira e paródia perfeita, na sua proposta e slogan: “Comunidade, Identidade, Estabilidade. Aumentar o prazer e diminuir a dor.

 

Para isso, os seres humanos eram produzidos como se fossem fabricados. Mãe e pai eram palavras proibidas.

 

As crianças aprendiam o sexo desde a infância, em jogos eróticos voltados ao prazer.

 

E, se tudo isso falhasse, havia a Soma: uma droga sintética que dava prazer e retirava a dor.

 

Ora, nas periferias de São Paulo já descobrimos o Estado Novo há algum tempo. Todos são iguais. Buscam o mesmo.

 

No livro de Huxley, o divergente era um selvagem, que vivia como atração circense numa reserva, como se fosse um zoológico para entreter as pessoas do admirável mundo novo.

 

John — credo, nome bíblico — tinha religião, pai, mãe, acreditava no amor.

 

Por isso as pessoas iam até sua jaula dar risada de como os “primitivos” viviam.

 

E ele às vezes até lia um tal de Shakespeare e Paraíso Perdido, de John Milton, seu homônimo.

 

Sua mãe morreu de overdose de Soma, pois havia fugido de sua reserva e não estava preparada para as novidades do mundo novo.

 

John assistiu tudo. Foi um dos poucos. Já que o velório era abolido.

 

E se dava Soma para a pessoa não sentir o “morrer”.

 

Ironicamente, as pessoas morriam felizes e sem dor.

 

"Brave New World."

 


 

ZARATUSTRA

Zaratustra encontrou o caminho para si mesmo ao ficar dez anos em solidão até legar para nós sua filosofia da solidão, deixando essas palavras:

 

“Agora prossigo só, meus discípulos! E vós também, ide embora, sós! Assim o quero.

 

Afastai-vos de mim e defendei-vos contra Zaratustra! Melhor: envergonhai-vos dele! Talvez ele vos tenha enganado.

 

O homem do conhecimento deve poder não somente amar seus inimigos, como também odiar seus amigos.

 

Retribui-se mal a um mestre, continuando-se sempre apenas aluno. E por que não quereis arrancar louros da minha coroa?

 

Vós me venerais; mas e se um dia vossa veneração desmoronar? Guardai-vos de que não vos esmague uma estátua!

 

Dizeis que acreditais em Zaratustra? Mas que importa Zaratustra! Sois os meus crentes, mas que importam todos os crentes?

 

Ainda não vos havíeis procurado: então me encontrastes. Assim fazem todos os crentes; por isso valem tão pouco todas as crenças.

 

Agora ordeno que me percais e vos encontreis; e somente quando me tiverdes todos renegado retornarei a vós...” — Friedrich Nietzsche

 


 

SOMA

Soma, além da droga de Admirável Mundo Novo, significa adição, que curiosamente pode significar vício.

 

Mas também Soma e adição significam, segundo a filosofia da solidão e da escrita de Nietzsche:

 

“De tudo o que vê, ouve e vive forma instintivamente sua SOMA: ele é um princípio seletivo, muito deixa de lado. Está sempre em sua companhia, lide com homens, livros ou paisagens: honra na medida em que elege, concede, confia.”

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 07/05/2026
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