EU NÃO AMO NINGUÉM

Me refiro ao amor-paixão.
É impossível falar dele sem falar de Stendhal, que escreveu um tratado sobre o amor, mas apenas como pretexto para reatar com a moça da nobreza, Mathilde Dembowski, por quem foi rechaçado.
Ele diz que foi porque tentou a seguir um dia sem a permissão dela — uma espécie de stalker anacrônico da época.
Mas eu tenho para mim que foi porque ele era feio e meio gordinho.
Apesar de escrever bem.
E nem mesmo esse belo livro fez ela gostar dele.
Mais ou menos a minha história aqui no Recanto com meus escritos.
Stendhal define quatro tipos de amor:
Amor-paixão: que é quando falamos de paixão mesmo.
Amor-gosto: amor pela beleza.
Ou vaidade: por status.
Amor físico: que é o de sexo animalesco.
Aqui me refiro ao amor-paixão mesmo.
Eu poderia falar que não estou apaixonado por ninguém, mas o texto fala de amor, e não apenas de paixão.
Já que, para Espinosa, todos nós somos corpos apaixonados à medida que somos afetados pelo mundo à nossa volta.
O único ser desapaixonado é Deus.
Então eu falo de amor-paixão.
Eu já estive apaixonado amorosamente por quem me fez entrar no RL.
Hoje ainda gosto dela.
Talvez um sentimento até mais forte que a paixão, que é a ternura e o carinho. Mas não perco noites de sono. Como se uma doença.
É por isso que, no começo, talvez ela era meu único assunto.
Hoje até falo de outros tipos de amores que Stendhal descreve: o físico e o gosto.
Como o da menina de nome de seriado, a quem apelidei de Claricinha, pela sua beleza e talento literário. Até a minha amiga Flora, pelo mesmo motivo. E a personagem do meu bairro, a quem chamo de Helena, que é um amor-gosto. Mas, sem dúvida, todos são amores. E nenhum é vaidade.
Então, na verdade, o título…
já que amo todas sobre quem escrevo — talvez algumas com mais predileção e intensidade —, mas principalmente eu amo o sentimento do amor.
Esse mandamento mais sagrado para Cristo.
Mas aqui estou falando de afeto por atração.
Então, na verdade, eu amo o amor.
E amo todas. Não ninguém. Sou o contrário do misantropo. Ou talvez eu seja só um misantropo do sexo masculino.
Aliás, a gente fala misógino para quem não gosta de mulher, tem ódio por elas. Mas quem tem ódio por homens é o quê?
Não amo ninguém. É a minha forma de poliamor.
De amar todo mundo.
