× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

EU NÃO AMO NINGUÉM

 


 


 

PRETEXTO

Me refiro ao amor-paixão.

 

É impossível falar dele sem falar de Stendhal, que escreveu um tratado sobre o amor, mas apenas como pretexto para reatar com a moça da nobreza, Mathilde Dembowski, por quem foi rechaçado.

 

Ele diz que foi porque tentou a seguir um dia sem a permissão dela — uma espécie de stalker anacrônico da época.

 

Mas eu tenho para mim que foi porque ele era feio e meio gordinho.

 

Apesar de escrever bem.

 

E nem mesmo esse belo livro fez ela gostar dele.

 

Mais ou menos a minha história aqui no Recanto com meus escritos.

 


 

TIPOS DE AMOR

Stendhal define quatro tipos de amor:

 

Amor-paixão: que é quando falamos de paixão mesmo.

 

Amor-gosto: amor pela beleza.

 

Ou vaidade: por status.

 

Amor físico: que é o de sexo animalesco.

 


 

RECORTE

Aqui me refiro ao amor-paixão mesmo.

 

Eu poderia falar que não estou apaixonado por ninguém, mas o texto fala de amor, e não apenas de paixão.

 


 

ESPINOSA

Já que, para Espinosa, todos nós somos corpos apaixonados à medida que somos afetados pelo mundo à nossa volta.

 

O único ser desapaixonado é Deus.

 

Então eu falo de amor-paixão.

 


 

EXPERIÊNCIA

Eu já estive apaixonado amorosamente por quem me fez entrar no RL.

 

Hoje ainda gosto dela.

 

Talvez um sentimento até mais forte que a paixão, que é a ternura e o carinho. Mas não perco noites de sono. Como se uma doença.

 


 

DISPERSÃO

É por isso que, no começo, talvez ela era meu único assunto.

 

Hoje até falo de outros tipos de amores que Stendhal descreve: o físico e o gosto.

 

Como o da menina de nome de seriado, a quem apelidei de Claricinha, pela sua beleza e talento literário. Até a minha amiga Flora, pelo mesmo motivo. E a personagem do meu bairro, a quem chamo de Helena, que é um amor-gosto. Mas, sem dúvida, todos são amores. E nenhum é vaidade.

 


 

PARADOXO

Então, na verdade, o título…

 

já que amo todas sobre quem escrevo — talvez algumas com mais predileção e intensidade —, mas principalmente eu amo o sentimento do amor.

 

Esse mandamento mais sagrado para Cristo.

 

Mas aqui estou falando de afeto por atração.

 

Então, na verdade, eu amo o amor.

 

E amo todas. Não ninguém. Sou o contrário do misantropo. Ou talvez eu seja só um misantropo do sexo masculino.

 

Aliás, a gente fala misógino para quem não gosta de mulher, tem ódio por elas. Mas quem tem ódio por homens é o quê?

 


 

EPÍLOGO

Não amo ninguém. É a minha forma de poliamor.

 

De amar todo mundo.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 04/05/2026
Comentários