NÓS FOMOS ENGANADOS PELA LAVA JATO

Falam que a cultura se banaliza quando aparece em citação em peça jurídica — assim como o meme termina quando até a Claudia Leitte começa a compartilhar.
Lembro dos idos de quando começou a operação.
Meu barbeiro, à época, perguntou se eu estava entusiasmado.
Eu disse que olhava com desconfiança.
Ele quase me defenestrou e se recusou a continuar cortando meu cabelo.
O tempo me absolveu e me deu razão.
Reinaldo Azevedo foi um dos poucos na mídia a alertar sobre o jogo de poder por trás da operação.
Mas ali no limiar — quando Sérgio Moro chegou a dar entrevista ao Roda Viva — até mesmo eu cheguei a ser convertido ao lavajatismo, com empolgação.
Até me informar melhor.
Percebi que colocavam seu próprio projeto de poder e uma espécie de “república de Curitiba” acima da República do Brasil, com procuradores atuando em conluio e acordando provas com juízes, condenando acusados sem provas, enquanto outros eram absolvidos por excesso delas.
A desconfiança com o poder jurídico vem desde a Grécia Antiga, com os grandes sofistas — Górgias, Protágoras — que defendiam o interesse de quem paga mais, sem se importar se é bom ou ruim para a sociedade.
E vemos reverberações disso hoje na relação promíscua — e até conflituosa — com ministros utilizando jatinhos e recebendo favores de criminosos.
O que só aumenta a desconfiança da população ignara com o poder jurídico, mesmo quando ele presta serviços à democracia.
E o pior: por falta de informação, a perda de credibilidade do Supremo reverbera no governo Lula.
Que, apesar de bons indicadores, vê sua taxa de aprovação cair.
E a falta de traquejo de figuras como Gilmar Mendes ao lidar com personagens populistas como Zema — que claramente opera como persona política — acaba agravando ainda mais essa percepção. Prejudica a imagem do Supremo.
E, por consequência, a do próprio governo, mesmo sem relação direta.
Da mesma forma que a Lava Jato nos enganou, onde há poder, há desconfiança.
E, apesar dos serviços prestados, ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes precisam ser mais claros sobre suas relações e sobre os serviços prestados a figuras envolvidas em crimes.
O jurídico, historicamente, sempre utilizou as leis também em benefício próprio.
