A OUTRA METADE DA MINHA ALMA

Eu sempre gostei muito da história de almas gêmeas, como na música do Fábio Jr.
A história é antiga e vem desde o diálogo O Banquete, de Platão:
Aristófanes conta a história dos andróginos esféricos, que eram perfeitos, pois tinham ambos os sexos.
Eles eram tão felizes que, um dia, resolveram subir aos céus para ver como os deuses viviam, subindo uns nos ombros dos outros, como uma grande Torre de Babel.
Como punição, os deuses os separaram, e, doravante, a missão de cada um é encontrar a metade que falta.
Virgílio usava a expressão animae dimidium meae para se referir à sua amada, que significa “metade da minha alma”, e que aparece na Eneida.
Eu sou esse andrógino procurando a mim mesmo, por mais que seja apenas um mito.
É por isso que o amor é sempre o meu principal tema.
E sempre que falo sobre amor, é verdadeiro.
Todas as pessoas sobre quem escrevo significam algo.
São metades da minha alma em potencial.
Eu nunca seria tão vulgar a ponto de escrever algo sobre quem não me importo ou de quem não gosto — ainda mais quando há beleza envolvida.
E todos os que recebem com carinho o que escrevo, mesmo não sendo metade da minha alma, são pedaços de mim que carrego.
Às vezes, em meio a obrigações muito mais importantes do dia a dia — como trabalho, família, quem sabe até uma criança (quem sabe?) —, alguém separa um tempo para gastá-lo com este humilde escriba.
E, por mais que eu queira acreditar que não é totalmente um tempo perdido, pelo conteúdo que entrego — principalmente em comparação às redes sociais —, convenhamos: boa parte não é nada que vá mudar a cotação do dólar.
Mas o diferencial é que é escrito com carinho. À la carte.
Eu só me permito escrever e dividir minha atenção porque ainda não a tenho plenamente voltada para uma única pessoa. Pela ausência de compromisso. Por ser solteiro.
Todas sobre quem escrevo são especiais.
Mas, como diz Orwell, algumas são mais especiais que as outras.
E, no meu caso, tenho que seguir a intuição do meu coração…