
Independentemente de você não votar em Lula, quem está comprometido com o Estado democrático de Direito, nas próximas eleições, tem a obrigação de votar no candidato que mais distancie os Bolsonaro de chegar ao poder — se essa pessoa realmente se diz democrata.
As únicas pessoas que votam em Bolsonaro não são necessariamente ruins, mas são, sim, intelectualmente pobres.
Podem até ser boas pessoas, bons pais de família, mas são individualistas e sem consciência moral ampla — de classe e social.
Gente iletrada, sem educação, que se informa por grupos de WhatsApp e, pela falta de estudo, tende a cair em notícias falsas.
Basta ver o baixo nível de civilização: pessoas na porta da cadeia orando pela soltura de criminosos, como MC Ryan, Pose do Rodo e a Choquei, envolvidos com crime organizado, apostas ilegais e tráfico.
Em um país que glamoriza a massa e a ignorância, líderes como os Bolsonaro e Zema emergem.
Zema é de uma família de posses, teve todas as condições de estudar.
Ou é hipócrita, ou representa o ápice do reacionarismo e do populismo, ao ponto de dizer “eu ouvo” para dialogar com um eleitorado bovino.
Ao contrário de Lula, de origem proletária, formado no SENAI, soldador e exímio líder.
Algo impensável para Bolsonaro.
Boulos e Haddad são intelectuais, escrevem livros que Flávio não conseguiria passar da terceira página — nem usando ChatGPT.
No embate público com Gilmar Mendes — jurista brilhante, intelectual reconhecido internacionalmente —, que em suas peças e retóricas faz referências filosóficas e literárias, ao dizer que Zema fala algo próximo ao português, a mídia classificou sua fala como “esnobe”.
Esse povo, inculto, vulgar, sem civilização, que endeusa líderes religiosos, acha esnobe quem tem cultura e defende a democracia — como Gilmar e Alexandre de Moraes.
O grande problema dos EUA, que elegeu um celerado como Trump — um golpista contumaz —, foi a ausência de um Judiciário e de uma justiça eleitoral contundente e isenta como a nossa.
Sem isso, hoje poderíamos estar sob a égide de uma ditadura, sem liberdade.
É claro que a relação entre poder privado e legislativo, desde os sofistas — que defendiam a causa de quem paga mais — já é problematizada.
Há o juridiquês, a falta de cultura de muitos magistrados, os penduricalhos fora da realidade, o excesso de garantismo para quem tem poder.
Mas essa disfunção vem justamente do desequilíbrio de outro ponto da tríade de Montesquieu: o Legislativo.
Com o baixo nível de senadores e deputados eleitos, reflexo direto do baixo nível educacional do povo, que exalta ignorantes como Zema e os Bolsonaro.
Condena-se a erudição de Mendes como pedantismo.
Ignorância vira virtude. Autoritarismo vira força. Arma vira solução.
Estudo, elegância e cultura passam a ser vistos como soberba.
E a democracia, como algo a ser combatido. É a verdade invertida de 1984.
Para combatê-la, é que votamos:
