O SEGUNDO CRIME DE ROBINHO

Robinho cometeu um segundo crime, tão ou mais grave quanto o estupro: o estupro emocional e financeiro feminino, que muitas vezes acarreta justamente em feminicídio.
São muitos os casos que se repetem na realidade brasileira: homens como Robinho, que detêm o monopólio financeiro da família e privam suas mulheres de fonte de renda, tornando-as totalmente dependentes, sem alternativas, cujo papel passa a ser apenas cuidar dos filhos.
Quando há um caso-limite, como o de Robinho, ou situações de violência doméstica, é que o problema aparece: a mulher não possui meios financeiros para se emancipar.
Robinho, por exemplo, além de estuprar uma mulher coletivamente, traiu sua esposa e expôs sua atual companheira — mãe de seu filho — ao constrangimento público.
E ela, por não possuir renda ou ocupação além da maternidade, não teve alternativa senão engolir seco e perdoar.
Não por amor cristão.
Mas por falta de alternativa.
O filho de Robinho, Robinho Jr., negocia renovação de contrato com o Santos e chegou a ser cogitado pelo Atlético Mineiro.
O jogador, mesmo na prisão, segue influenciando decisões, assim como Marcola administra o PCC.
A escolha foi permanecer no Santos.
E a mãe e esposa de Robinho seguem como instrumento de manobra dentro dessa estrutura.
A minha preocupação com mulheres que são apenas dependentes de homens que detêm o monopólio do dinheiro é justamente essa: hoje podem ser bons pais de família, mas, se amanhã houver traição, ou qualquer eventualidade — um filho fora do casamento, por exemplo —, como essas mulheres ficam? Com certeza terão que perdoar. Perdoar tudo: agressões, insultos, traições. Tudo isso sob a ameaça implícita de ver o cartão de crédito cancelado e a fonte de dinheiro secar.
É por isso que a relação de poder é uma das principais fontes de feminicídio. Casamento e filhos não deveriam nascer de cálculo, nem de dependência, nem de estratégia de sobrevivência. Mas de amor e desejo genuínos. Caso contrário, transformam-se em outra forma de violência. Um crime contra a vida.
