O “MONOTEMISMO” RELIGIOSO NO RECANTO DAS LETRAS

Sim, você não entendeu errado, nem escrevi errado.
Não é “monoteísmo religioso”, mas monotemismo religioso: de alguém que só fala de um assunto, que só escreve sempre sobre o mesmo tema, com um fervor quase religioso.
Simplificando a complexidade da realidade em ofensas e fórmulas rasas e prontas, tudo se reduz a um debate igualmente redutor: “isso é coisa de esquerdista”. E suas gradações, conforme a volatilidade emocional do escrivinhador. Aí entram: reparações históricas, pauta woke; desigualdade de gênero, discussão de gênero; criminalidade, legalização de armas; economia, liberalismo financeiro… etc., etc.
Se o maniqueísmo temático — a dualidade de bem e mal — já é redutor da condição humana, o monotemático vai além: simplifica o pensamento ao extremo, reduzindo tudo a um único problema.
Como sabemos, isso é até mais “eficiente”: usar o córtex pré-frontal — responsável pela racionalidade — consome muita energia.
Então o cérebro, em seu cálculo econômico, simplesmente desliga essa área e passa a operar por atalhos: intestino, emoção, repetição. Como um tocador de realejo.
A captação de cérebros ingênuos, incapazes de elucubração, é estratégia conhecida.
Vide o uso, por parte dos Estados Unidos, de chats de jogos de guerra —como Call of Duty e Black Ops — como ferramenta de recrutamento.
Vende-se uma visão romântica da guerra para embalar uma “liberdade de alto calibre”.
A mesma que certos recantistas de armadura e espada tentam importar para o Brasil.
Ora, escrever sempre sobre o mesmo tema — e ainda um tema recalcado como “comunismo” — me parece algo obscurantista e pouco liberal.
Quem conhece meus escritos sabe que eu jamais defenderia um governo autoritário.
Porque, em um regime autoritário, as próprias condições que permitem este debate não existiriam.
A verdadeira liberdade é aquela em que o indivíduo possui condições reais de viver e se desenvolver com o mínimo de interferência do Estado — mas com a presença necessária para garantir essas próprias condições. Isso pressupõe atuação em áreas-chave: segurança, economia, educação. Para evitar, inclusive, crises como as de 1929 e 2008. Mas esses temas fogem ao monotemismo dos articulistas de um único assunto. Seria peso demais para além de suas armaduras enferrujadas.
Portanto,
