EU NÃO ACREDITO EM “ALMA”, MAS EM “AURA”, TALVEZ…

Na verdade, “acreditar” é um verbo impreciso.
O que importa não é no que acredito ou deixo de acreditar, mas o que pode ser demonstrado.
E alma, com certeza, não pode.
Ela é apenas uma abstração, um conceito que vem desde os diálogos de Platão para explicar aquilo que não muda: a essência ontológica dos seres, que não está condicionada às mudanças do mundo e, portanto, não morre.
Não me parece crível nem verossímil.
Agora, aura me faz mais sentido.
É mais fácil de explicar em termos estritamente materiais — e talvez até virtuais.
Mas explico.
A aura se reflete diretamente na sua aparência.
No mundo dos videogames, isso é mais apreensível.
Como em Fable, onde boas ações se refletem na aparência e na relação dos personagens com você: ajudam, sorriem, paqueram — chega a nascer uma auréola na cabeça.
Já com ações ruins, as portas se fecham, as pessoas fogem, e surgem chifres.
Em Undertale, se você segue a rota genocida e elimina todos os oponentes, a música alegre se torna taciturna, o clima feliz vira sombrio — o jogo inteiro muda de aura.
E a vida é, em certa medida, assim.
Podemos fazer um paralelo: o atributo “aura”, construído por boas ações — desde o cuidado de si até o cuidado com o outro — resulta em uma aparência melhor, mais saudável.
E traz, como consequência, algo próximo do que chamamos de sorte.
Atrair coisas boas. Facilidades. Favores. Inspiração.
E até a satisfação de ver a própria vida reverberando positivamente na dos outros.
Já uma aura ruim, negativa, construída por meios ilícitos — como drogas recreativas ou até anabolizantes —, tem efeito direto na aparência e, consequentemente, na sorte.
Mesmo que se aumente o atributo de força ou poder, perde-se aura.
E, com isso, perdem-se também as boas coisas que a vida poderia oferecer.
A aura se aproxima do conceito de determinação em Undertale, que é o elemento que permite salvar almas humanas e realizar grandes ações no universo do game.
A determinação é o que importa para viver e agir. Não exatamente a disciplina.
Porque é a determinação que funda a disciplina.
Ao passo que uma disciplina sem determinação não é nada.
