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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

O ÚNICO REMÉDIO PARA O AMOR — E PARA CIÚMES E INVEJA

 


 


 

Ovídio, poeta romano do século I, era considerado o poeta do amor.

 

A quem, ouso dizer, me considero discípulo direto.

 

Era um homem cândido, de temperamento pacato.

 

Amou, em toda sua vida, uma única mulher: a sua, o amor.

 

E, através dele, amou todas elas.

 


 

LIÇÃO

Pode também ser considerado, de certo modo, o primeiro homem feminista da história. Pois, em sua obra brilhante —A Arte de Amar, tornada prosa em edições modernas — concede às mulheres igual condição na arte do amor e da sedução. Ensina receitas não apenas para seduzir, mas também para se defender do amor e, se possível, curar-se dele. E, tentando emular o mestre, eu digo: o melhor remédio para o ciúme e a inveja é a autoestima.

 

Baseado, como ele, na própria experiência. 

 


 

HIPOCRISIA

Algo digno de nota é como o próprio Ovídio admite que, muitas vezes,

não segue os conselhos que oferece aos outros.

 

Ao recomendar ignorar as falhas da pessoa amada, confessa que, em um momento de raiva, rasgou as vestes de sua pretendente e precisou comprar outras. Isso é comum.

 

A diferença entre a vida falada e a vida vivida é o que chamamos de hipocrisia.

 

E é por isso que não se pode confiar em quem apenas fala.

 

Sobretudo aqueles, Recantistas, que se escondem no anonimato confortável (ou nem tanto) de suas casas (armadura)

 


 

EXPOSIÇÃO

Aqui,  na página Dave Le Dave, é o contrário.

 

Funciona como um diário.

 

E, nesse sentido, aproxima-se de uma ideia central de Nietzsche:

 

nosso estado fisiológico reflete nossos valores.

 

Determina se nossa visão do mundo será otimista ou pessimista.

 

Oscilações de energia, de força vital, de autoestima.

 

Quem prega a morte, ou uma vida após a morte, denuncia, muitas vezes, uma condição fisiológica empobrecida; Baixa autoestima, ressentimento, declínio.

 

Isso aparece, inclusive, na própria aparência.

 


 

TRANSFORMAÇÃO

E isso se confirma na prática. Quando eu estava em um estado fisiológico decadente, meus textos refletiam: pessimismo, ciúmes, invenções, projeções.

 

Hoje, recuperado, o que aparece é outro registro: confiança, cultura,  humor, elegância, erudição, e até um certo voyeurismo intelectual — mas com finesse.

 


 

DISSONÂNCIA

Para mudar, é necessário um movimento: uma dissonância de si, um afastamento de si.

 

Um gesto reflexivo, quase cartesiano. Não o “eu” como agente livre, mas o “eu” que observa.

 

Porque, quando penso minhas ações,  há sempre dois: o que age e o que observa.

 

É sempre “o outro” que erra. 

 

O que corrige é outro.

 

Esse é, talvez, o único movimento de liberdade possível.

 

Negá-lo é o que Sartre chama de má-fé.

 


 

EPÍLOGO

E, mesmo que não haja livre-arbítrio pleno, há, ao menos, a possibilidade de escolha: o que observar, o que alimentar, o que fortalecer.

 

Escolher aquilo que aumenta nossa potência de agir.

 

Que eleva nossa autoestima.

 

Porque, no fim, esse é o único remédio para o ciúme e para a inveja. E amor, para nascer ou curar.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 21/04/2026
Alterado em 21/04/2026
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