OS DESAFIOS DE “ESCREVER” NO RECANTO DAS LETRAS

Devo me considerar, senão um escritor, ao menos alguém que escreve — e que é multifacetado por tratar de diversos assuntos.
Porque diverso é o mundo, e diversos também são os meus interesses acerca dele. E diversa também é a minha — seleta — audiência: de todas as idades, repertórios, visões de mundo e até ideologias. Embora devamos acreditar, pela beleza do autor — moral e de ideais —, que o público seja majoritariamente feminino. O masculino acompanha
por recalque ou amizade.
Traduzir assuntos que fogem do cotidiano de algumas leitoras — como videogame ou futebol, um humor mais ácido, política, alta cultura, cinema, literatura, cultura erudita, cultura pop — em uma linguagem acessível a todos, que mantenha o interesse do começo ao fim, com uma estética interessante, é um grande desafio.
Mais ou menos o mesmo desafio que os professores enfrentam no Brasil.
Não que eu queira comparar meus leitores aos alunos do país.
Mas quero voltar à etimologia da palavra.
Aluno significa: o prefixo “a” (sem) mais o sufixo “luno” (luz). Ou seja: sem luz.
Quando o professor, uma espécie de demiurgo do saber — ou este humilde escriba que vos fala — escreve, e vocês me leem, vocês deixam de ser alunos e passam, finalmente, a ser “lunos”.
Uma professora de 51 anos, da rede pública, viralizou com sua iniciativa
de criar um sistema digital para engajar seus alunos em tarefas morais.
Em vez de algo como “estrela do Kiko”, que soaria cringe, ela criou o sistema de “farmar aura”.
“Farmar” é um termo dos RPGs, que significa acumular, upar, subir de nível.
E “aura” seria: boa vontade, bom comportamento, boa presença moral.
Cada boa nota, cada bom comportamento, faz o aluno subir de nível moral.
Ou seja: farmar aura no sistema moral de uma professora genial.
Bom, e eu quero acreditar que vocês que me leem, além de aura, também farmam saber.
Muito obrigado a todos!
