
Em janeiro de 2025, os dados eram estes:

– Peso: 66,8 kg
– Gordura corporal: 22,6%
– Massa muscular: ~26,8 kg
– Circunferência abdominal: ~90 cm
– Taxa metabólica basal: 1616 kcal
Não era um corpo desfuncional.
Mas era, no sentido mais preciso, um corpo comum.
Um corpo que ainda obedecia mais à inércia do ambiente do que à própria vontade.
A gordura não era excesso grotesco — era dispersão.
A musculatura não era ausência — era insuficiência.
Nada ali gritava.
Mas também nada afirmava.
Há quem trate o corpo como dado. Eu, como problema.
Não no sentido clínico — embora também — mas no sentido filosófico: o corpo como campo de forças, onde cada escolha é uma variação de potência.
Treinar, comer, caminhar, dormir — tudo isso, que à primeira vista parece banal, constitui, na verdade, uma tecnologia de si. Um conjunto de operações pelas quais se tenta domesticar a matéria instável que somos.
E é nesse ponto que a abstração precisa ceder lugar à evidência.
Porque, ao contrário do discurso, o corpo não mente.
Março de 2026:

– Peso: 57,3 kg
– Gordura corporal: 8,0%
– Massa muscular esquelética: 29,7 kg
– Circunferência abdominal: ~73cm
– Gordura visceral: nível mínimo 1,0%
– Taxa metabólica basal: ~1509 kcal
Aqui já não se trata de emagrecimento.
Trata-se de transformação qualitativa.
Perdi aproximadamente:
→ 9 kg de peso total
→ ~10–12 kg de gordura (estimado)
E, ao mesmo tempo:
→ aumentei massa muscular relativa
→ aumentei densidade corporal
→ aumentei eficiência metabólica
Ou seja:
não foi perda de peso.
Foi substituição de tecido.
que se seguiu não foi motivação.
Foi método.
– Controle calórico rigoroso
– Treino estruturado (ABCD)
– Caminhada diária consistente (~11–13 mil passos)
– Alta ingestão proteica
– Monitoramento contínuo
Sem heroísmo. Sem delírio.
O dado mais interessante não é o percentual de gordura.
É a relação entre massa e controle.
Antes:
– corpo mais pesado
– maior gordura
– menor definição
– menor controle metabólico
Agora:
– corpo mais leve
– muito mais denso
– abdômen visível
– metabolismo mais eficiente
Isso significa uma coisa só:
o corpo deixou de ser passivo.
Passou a ser construído.
O PARADOXO DO NÚMERO
Curiosamente, o próprio exame indica uma ingestão média inferior àquela que sustenta, na prática, o processo.
Aqui aparece um ponto importante:
os aparelhos medem.
Mas não interpretam.
E, sobretudo, não conhecem o processo.
Se antes o problema era reduzir, agora é aumentar — sem perder forma.
Objetivo:
→ 64 kg
→ 10–12% de gordura
→ aumento de ~5 kg de massa magra
Ou seja:
não mais apenas retirar excesso,mas adicionar estrutura.
O que exige algo mais difícil que emagrecer:
crescer sem se perder.
O corpo tende à desordem.
Sempre.
Gordura acumula.
Músculo desaparece.
Energia dispersa.
A disciplina é, no fundo, uma recusa dessa tendência.
Uma pequena insurreição contra a entropia.
E talvez seja isso que mais incomode: não o resultado,
mas o fato de que ele foi produzido.
Só o que não muda é meu apreço pela democracia, portanto:
