VOCÊ É A MELHOR EX-NAMORADA QUE EU NUNCA TIVE

Talvez a minha função seja te proteger, e a sua, a de me proteger de mim, através de toda a inspiração e dos bons exemplos que você me suscita.
Seguindo o conselho nietzschiano — de caminhar para pensar, sem celular, sem mundo, só com meus pensamentos — você constantemente caminha comigo.
E penso no nosso passado, quando nem o seu silêncio eu tinha, e tudo o que queria era a possibilidade de, ao menos, você me conhecesse melhor, como agora.
Meu primeiro texto — lembra? — foi curto. Mas já era como os de agora.
Eu falava de amor, saúde, doença, literatura… e você.
Havia travessões antes mesmo de eles serem popularizados pela inteligência artificial, porque eu já amava você, a gramática e a montanha mágica, desde muito antes de viraram "modinha": desde o primeiro momento em que conjuguei o primeiro verbo ou folheei a primeira página da nossa longa — e eterna — história de amor.
Nessa minha ânsia de me repetir, além de repetir sempre como gosto de você, às vezes falo sobre coisas em que nem eu mesmo acredito.
Como quando cito A Mãe e a Puta, de Jean Eustache: a mãe como a mulher que se ama, mas não se deseja, e a puta como aquela que se deseja, mas não se ama.
Certo é que mulheres que só são desejáveis, sem serem amáveis, são muitas; antes o contrário.
Mas a verdade é que é perfeitamente possível desejar a mulher que se ama. E o meu desejo, neste momento, por você é a prova disso.
Fernando Pessoa escreveu o Poema em Linha Reta.
Se eu fosse escrever um poema expressando meu amor e desejo pra você, seria um Poema em Linha Vertical. Porque ele só cresce… sobe.
Muito além da minha limitação fisiológica — talvez pouco mais de uma dezena de centímetros — porque ele é de ordem também metafísica.

PORQUE, ALÉM DE VOCÊ... EU TAMBÉM AMO A DEMOCRACIA!