SIM, DAVE LE DAVE É CRISTÃO — MAS NÃO RELIGIOSO

Sim, sou cristão. Acho Jesus Cristo do caralho!
O problema, pra mim, é o seu fã-clube — que consegue ser mais chato que o do Iron Maiden.
Sou um cristão não praticante, por assim dizer.
Mas o cristianismo foi amplamente deturpado ao longo dos anos ao se tornar religião.
Cristianismo deveria ser as lições de Cristo — não as lições da Igreja Católica, evangélica, ou sei lá quantas igrejas há.
Mas a religião atende a um anseio enorme do ser humano, que, por essência, necessita de espiritualidade.
A diferença é que eu prefiro uma espiritualidade laica: da cultura, da arte, da literatura, etc. etc.
Alguns só encontram essa espiritualidade pela via vulgar da religião, às vezes pela via ainda mais vulgar do trabalho, às vezes pela mais vulgar ainda, que é a da violência. E, no fundo, elas se parecem.
Nas minhas caminhadas, vejo pessoas empunhando debaixo do braço a Bíblia como se fosse um revólver e cumprimentando estranhos com a autoridade de um policial. Quando vestem aquelas paletós de cores berrantes e roupas acima do tamanho, ganham a mesma confiança de uma farda de um policial militar. Como civis, talvez não se sentissem ninguém.
E recitam trechos da Bíblia como se estivessem recitando Os Lusíadas, de Camões, ou Poema em Linha Reta, de Pessoa.
São eruditos de um livro só — principalmente os evangélicos.
Acho meio ridicularizante reduzir a condição humana a saber muito de um único assunto, e principalmente de um único livro.
Mas, se acreditam que ali está toda a verdade universal… quem iria julgá-los?
Estudar o resto, obviamente, vira perda de tempo.
No contexto da periferia — que observo mais atentamente — vejo jovens evangélicos analisando o ambiente ao redor: pessoas bebendo nos bares, e preferindo o reduto da igreja, a cumplicidade, onde casam entre si, fazem negócios, quase como uma maçonaria. Praticam devocionais. É, em muitos casos, o melhor dos mundos: uma verdadeira rede de proteção contra o mundo marginal lá fora. Quase um sinal de Deus.
À la dádiva da predestinação de Max Weber, na ética protestante e o espírito do capitalismo: Deus nos vê com bons olhos, e estamos destinados ao paraíso. O mundão?… esse queime.
Mas, em termos puramente estéticos e simbólicos, a Igreja Católica, com seus templos, monumentos, rituais e liturgias, dá de mil a zero na igreja evangélica.
Também tem muito mais tempo de existência — e talvez muito mais dinheiro.
Com exceção do Brasil da Record…
Mas, enfim, gosto muito de Jesus.
Na medida do possível, tento pôr em prática seus ensinamentos,
reconhecendo minhas limitações como pecador.
Só acho meio macabro ficar andando por aí com o símbolo que ceifou sua vida no pescoço ou estampado na camisa. Mas tudo bem.
Essa é só mais uma das minhas diferenças estéticas com a igreja.
Só lembrando que… nessas próximas eleições presidenciais, pessoas cristãs — ou não cristãs —, do bem e santas, todas votarão Lula 13, em nome de um Brasil melhor!