“AUTISMO” VIROU DESCULPA PARA FRACASSO

Será que existe alguém tão só — ou tão vazio, como se diz em certo livro — que não possa viajar através dos próprios pensamentos?
O fato mais admirável na biografia e na filosofia de Nietzsche é que, apesar da sua doença e da sua dor, não se vê em sua filosofia nenhum sinal de indisposição contra a vida.
Uma aula incrível explica a filosofia de Nietzsche citando dois autores contemporâneos seus que têm visões de mundo diferentes para o problema da vida: Machado de Assis e Schopenhauer.
Enquanto Machado enxerga o cinismo e o niilismo — a falta de sentido no mundo —, essa mesma energia que Nietzsche via, mas optou por sair pela via do cômico e do riso, por outro lado, Schopenhauer saiu pela via do pessimismo, ou pelo que ele chamou de mundo da representação — que nada mais é que arte, cultura — em contraposição à vontade, que são as energias que regem o mundo.
Para mim, esse é o âmago do que posteriormente chamaríamos de existencialismo:não importa o que fazem da gente, mas sim o que fazemos com o que fazem da gente. Ou, em outras palavras, não importam as nossas circunstâncias, mas sim o que fazemos das nossas circunstâncias.
Ou ainda: não somos nada — nós nos tornamos.
Não há essência, mas existência.
Como Sartre resume perfeitamente: a existência precede a essência.
Agora, no mundo contemporâneo, vemos jovens adultos se escondendo no rótulo da não adequação: de um “autismo” não diagnosticado,
da feiúra, da suposta inadequação na vida, da falta de emprego, de amigos, de relacionamento, de sexo… ou até TDAH e outras condições sendo usadas para explicar a falta de aptidão para tarefas básicas da vida cotidiana. Sempre há uma desculpa. Ou mesmo a culpa recai sobre o governo.
Ora, há os indivíduos hikikomori japoneses que decidiram não sair mais de casa e se envolver apenas com tecnologia.
Mas sempre há possibilidades.
Se você é feio, ainda resta a opção de desenvolver repertório ou melhorar a aparência.
Se você é gordo, pode:
cozinhar como Jacquin,
ficar inteligente e engraçado como Jô Soares,
virar fitness como David Goggins,
aprender música como Tim Maia, Ed Motta ou Magic Numbers…
e pode ter certeza: eles comeram muita gente.
A minha opção, na minha página Dave Le Dave, é, apesar das minhas circunstâncias de vida estarem longe das ideais, sempre mostrar otimismo com a vida, absorver as lições boas que aprendi com meus mestres, relegar os exemplos ruins, e escrever apenas aquilo que quero transmitir adiante. É por isso que minha opção é sempre: o amor, o riso, a cultura — nunca o ódio, nem o ressentimento.
Dito isso, na próxima eleição, eu sou 13 na cabeça e voto em Lula.