A PRÓXIMA ELEIÇÃO SERÁ A MAIS DECISIVA PARA A DEMOCRACIA

Tempos de obscuridade se avizinham, como quando Lord Voldemort — o inominável — estava à espreita em Hogwarts.
Aqui, o que não deve ser nomeado atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro, ou extrema-direita — a cadela do fascismo está sempre no cio, à espreita.
O período em que ele esteve no poder foi o mais triste de que tenho memória.
O mais desesperançoso.
Um tempo em que o Brasil foi dividido.
Ele pregava ódio.
Famílias brigavam.
Ironizavam-se mortes pela COVID — da qual ele foi responsável por inúmeras.
Aumentaram a pobreza, o desemprego, o preconceito.
O Estado policialesco voltou.
As armas.
A memória da pólvora de uma ditadura que nos assombrava e que parecia superada.
O autoritarismo.
E tudo isso se manifestava também na maneira como ele se comunicava:
nas palavras de calão, na forma de se vestir, de se portar.
Quando vejo pessoas saudosas da ditadura, ou que desejam seu retorno aqui no Recanto das Letras — e leio o que escrevem, como o Símio ou o tal da Espada, entre outros — percebe-se claramente que visão de mundo elas desejam.
Agora, de modo oposto, quando leio textos de pessoas com um viés mais à esquerda, coincidentemente, vejo empatia.
Perfume.
Um mundo em que eu gostaria de viver.
Aqui faço apenas uma ressalva ao recantista Miguel Carqueija, porque ele é uma rara exceção:
seu catolicismo, sua alma de criança e sua experiência de vida o levaram a um bom senso raro e a um humanismo que se destaca, apesar das peculiaridades de seu dogmatismo.
Se triunfar Flávio Bolsonaro (bati na madeira), não esperemos que ele vá governar o Brasil com a mesma “maestria” com que governou sua fantástica fábrica de chocolate.
Ele irá solapar as instituições.
Enfraquecer o Supremo.
Anistiar golpistas.
O próximo presidente elegerá três ministros do Supremo.
E, como analisado no livro Como as Democracias Morrem, líderes contemporâneos não buscam mais ditaduras pela via vulgar da guerra.
Elas se tornam mais sofisticadas: utilizam o próprio poder democrático para enfraquecer a democracia. Modificam o Supremo. Influenciam o Congresso. Alteram leis. E dão verniz de legalidade a um golpe.
Nas próximas eleições, não sou religioso, mas, para muitos, o verdadeiro “messias” do povo brasileiro atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma esperança diante da ameaça recorrente do fascismo e do retorno autoritário.
Que a decisão traga, ao menos, algum respiro de paz para a nação.