SE HOJE ESTOU NA MODA, NO FUTURO FAREI SUCESSO?

Nunca imaginei que as coisas de que eu gostasse fariam sucesso um dia.
Há essa banda, Weezer — nessa performance no vídeo abaixo:
https://youtu.be/088616cZUMo?si=y4WI0WMPm0whTF9V
Um dos comentaristas diz que o Weezer é uma banda que soube capturar a vibe de parecer nerd, mas também soar como uma banda grunge incrível.
O vocalista é físico em Harvard.
Essa dualidade entre mundos eu entendo perfeitamente.
Eu, que sempre fui o estranho no ninho, ouvia indie rock enquanto se ouvia funk ou rap de onde eu vim.
Hoje, até de onde eu vim querem tirar selfie no Lollapalooza para postar no Instagram.
O Palmeiras, que era zoado na época do colégio, hoje é o time modinha dos Enzos e das Valentinas de São Paulo.
Até quem não gosta de futebol quer ir no “Allianz” tirar selfie.
E filosofia virou pop com a tríade dos mosqueteiros — que são quatro — filósofos de internet: Karnal, Clóvis, Karnal, Pondé…
E, enfim, sedentarismo e obesidade viraram feios.
Agora é cool ser magro.
Retrogames, que são os jogos da minha época, viraram objeto de ostentação.
Literatura e cinema viraram objeto de status.
Enfim, estou na moda.
Nietzsche usa o termo extemporâneo para dizer dos que estão fora de seu tempo — ou época — e que nascem póstumos, destinados a fazer sucesso num futuro vindouro, como ele mesmo, Kafka ou Van Gogh.
Talvez hoje eu esteja na moda para fazer sucesso no futuro.