
Como toda boa piada, ela se repete.
E, ao se repetir, se dissemina — como um meme de internet.
Por isso, tomo a liberdade de reproduzir aqui uma piada minha, retirada de um texto que você ainda não leu — mas deveria:
COMO A CULTURA SE “IMPREGNOU” NA MINHA VIDA
https://www.recantodasletras.com.br/cronicas-sociais/8601305
Dizem que a ida do homem à Lua foi encenada por Stanley Kubrick e que, em troca, a NASA lhe forneceu o equipamento necessário para filmar Barry Lyndon.
Ora, se isso fosse verdade, teríamos aqui um exemplo quase didático de utilitarismo, à maneira de John Stuart Mill e Jeremy Bentham: importa a felicidade do maior número nas consequências das ações.
E, convenhamos — teria sido uma excelente troca.
Seguindo esse raciocínio, a segunda ida à Lua teria sido filmada por quem?
Christopher Nolan?
Já que o avanço técnico é outro, talvez o mesmo responsável por Interstellar tenha assumido a direção.
Mas há algo ainda mais curioso — e menos irônico do que parece.
Quem batizou a missão Artemis program pode até entender de astros, mas demonstra conhecer pouco de mitologia grega — e menos ainda de literatura.
Artemis, irmã de Apolo, está associada sobretudo à caça, à vida selvagem, à proteção dos animais e das florestas. Sua esfera simbólica é terrestre, noturna, indomável — não técnica, não exploratória no sentido moderno.
Talvez quem nomeou o programa não tenha lido nem a Teogonia de Hesíodo, nem Homero.
Ou talvez — o que é mais provável — tenha simplesmente decidido homenagear a família inteira.
Afinal, já tivemos a Apollo program.
Nada mais coerente, então, do que convocar também a irmã.