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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


ESTRANHO CACHORRO CHAMADO SNOOPY ❤️

 


 


 

 

Charlie Brown o encontrou atrás de um poleiro de galinhas — assustado — e decidiu levá-lo para casa.

Linus van Pelt, por um instante, chegou a abandonar seu inseparável cobertor para aconselhá-lo na compra. Mas logo se revelou o paradoxo: o cachorro já tinha dono.

 

Comprou-se, portanto, um cachorro já comprado.

 

Mas isso nunca foi realmente um problema. Afinal, pai — mesmo de pet, mesmo nas histórias em quadrinhos — é quem cria.

 

Havia, desde o início, algo de indomável naquele animal. Um excesso de personalidade que não se explicava pela origem. Ele já veio batizado de Snoopy — e Charlie Brown, com a lucidez dos que reconhecem o inevitável, decidiu não interferir. Convenhamos: dificilmente haveria nome melhor.

 

 

Charlie Brown — ou Peanuts, miduim, para os mais íntimos —, foi ele quem arrumou a casinha, escolheu o cobertor e ofereceu abrigo.

 

Mas esse estranho cachorro, por razões que talvez escapem à lógica, prefere dormir sobre o telhado, jamais dentro. Como se recusasse, silenciosamente, qualquer forma de domesticação plena.

 

Às vezes recebe seu melhor amigo, Woodstock. Conversam — sempre do lado de fora. Sempre à margem.

 

Com o tempo, essa figura foi revelando suas múltiplas máscaras: jogador de beisebol, amante improvisado — sobretudo com Lucy van Pelt —, mas, acima de tudo, escritor.

 

E talvez seja isso que mais o define.

 

Uma personagem estranha — profundamente estranha — e, por isso mesmo, admirável. Amável à sua maneira. Cercada de gente, mas essencialmente só. Uma solidão que não é carência, mas condição de sua introspecção artística e literária.

 

Não se pode sequer atribuir isso à solidão estrutural de um filho único. Snoopy tem irmãos — vários. Entre eles, o mais conhecido talvez seja Spike: uma espécie de versão sua, mas de bigode e chapéu, vivendo no deserto do Texas.

 

Certa vez, Spike, conversando com um cacto, disse que gostava de pescar — e perguntou se ele já havia capturado algum peixe 🌵.

O cacto, naturalmente, permaneceu em silêncio.

Mas, interpretando a abertura de seus “braços” como medida, Spike concluiu o tamanho da captura e respondeu, incrédulo:

 

— Não exagera.

 

A peculiaridade, ao que tudo indica, vem de família.

 

E talvez seja exatamente por isso que Snoopy funcione tão bem para mim — quase como um alter ego, um emblema silencioso daquilo que tento fazer no Dave Le Dave:

 

habitar o mundo com um leve desajuste —

mas com estilo suficiente para transformar isso em forma.

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 09/04/2026
Alterado em 10/04/2026
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