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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


DILATAÇÃO

 




A função de dilatar — de expandir-se para além do próprio contorno — sempre foi decisiva para a sobrevivência e para a história humana. E a dilatação não mente.

 

A pupila que se alarga diante da presa ou do perigo.

A retina que se abre diante da tentação — do doce, do ouro.

Ou ainda diante da garota cuja pupila, ao dilatar-se, delata pensamentos que dispensam linguagem.

 

Há algo de profundamente verdadeiro nesse movimento involuntário: o corpo expõe aquilo que a consciência tenta negociar.

 

Hoje, as pessoas pagam — e se organizam meticulosamente — para dilatar seus músculos em aparelhos mecânicos de academia. Reencenam, em ambiente controlado, a violência e a exigência de uma selva que já não existe. Fazem do aço e da repetição um simulacro da necessidade vital, apenas para expandir o próprio corpo, para aumentar seus membros, como se ainda fosse preciso lutar pela permanência.

 

Nos homens, a dilatação assume uma forma ainda mais categórica — quase brutal em sua evidência.

No estado de excitação, ela não mente. Não negocia. Não permite disfarces. É uma linguagem direta demais para ser dissuadida.

 

E, depois, na satisfação, o corpo responde em sentido inverso: desfaz-se, recolhe-se, “desdilata-se”, como se encerrasse um ciclo silencioso.

 

Quando isso não ocorre, quando o corpo não dilata, algo escapa à ordem esperada: pode ser um mal-estar fisiológico, ansiedade, preocupação — ou a falha concreta que se nomeia como disfunção.

 

No fim, a dilatação permanece como um índice implacável:

o corpo sempre diz a verdade — mesmo quando o sujeito preferiria não saber.

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 09/04/2026
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