CONHEÇA O IRÃ, A CIVILIZAÇÃO QUE O TRUMP QUER DIZIMAR!

Se conhecêssemos história e literatura, não haveria tantas guerras — como irei demonstrar.
Ora, os EUA, que se dizem um país cristão, e Israel, que é o país onde ele nasceu, não sabem a importância que o Irã teve para o judaísmo e, consequentemente, para o cristianismo, já que o Império Persa, que sucedeu o babilônico, governado por Ciro, permitiu a reconstrução dos templos aos judeus.
A Mesopotâmia — aquela região entre os rios Eufrates e Tigre — era, antes, o que hoje é a própria América do Norte ou a Europa: a principal potência econômica e intelectual.
Nela, antes dos impérios babilônicos e persas (que é o atual Irã), havia os sumérios, acádios e assírios.
Desde Ciro, o Grande, que reconquistou a região, houve o recrudescimento sobre a decisão de Nabucodonosor, que destruiu os templos dos judeus e os exilou na Babilônia.
Depois, com Xerxes — o mesmo de 300, com Rodrigo Santoro pra citar uma obra mais erudita — e seu sucessor Artaxerxes, foi permitida a reorganização religiosa institucional de Jerusalém.
E o paralelo com a literatura é que essa história é narrada no romance histórico ficcional de Gore Vidal.
Que, além de ser reconhecido pelo debate contra o republicano e conservador William F. Buckley Jr., — um grande evento transmitido na televisão em 1968, que culminou na eleição de Nixon, posteriormente implicado no caso Watergate — gerou todo o cenário da cultura do cinema da Nova Hollywood, que, por sua vez, gerou textos maravilhosos na página Dave Le Dave.
Gore Vidal também é conhecido pelo seu combate à causa gay, por ele mesmo ser gay — digamos, meio não assumido, mas que todo mundo sabe, tipo um Agnaldo Timóteo. Ao ser perguntado se a última pessoa com quem ele tinha transado era homem ou mulher, saiu-se bem — e genial, como costumam ser suas ideias — ao simplesmente responder que foi educado demais para perguntar.
Bom, um dos livros geniais que Gore Vidal escreveu — e que quem defende Trump, a extrema-direita ou qualquer espécie de guerra jamais leu (ou, se leu, não entendeu) — é Criação, cujo enredo se passa no contexto do Império Persa no século V a.C., que foi o mais rico intelectualmente da história da humanidade.
Nesse livro, que mistura história e ficção, conta-se a história de Ciro, uma espécie de chanceler persa, batizado em homenagem a Ciro, o Grande, que relata suas memórias lidando com várias figuras históricas.
Ele discorre sobre sua religião, o zoroastrismo — a mesma inspirada no poeta Zaratustra, reinterpretado por Nietzsche em Assim Falou Zaratustra.
Além disso, encontra simplesmente Siddhartha Gautama, o famoso Buda; Confúcio; Sócrates; Lao-Tsé, do taoismo, yin e yang, que Jung adorava — com perdão do trocadilho (ou cacofonia).
Ou seja: ele encontra simplesmente os criadores das principais ideias do Ocidente e do Oriente — da China à Índia, passando pela Grécia.
E é essa civilização rica em história, que já governou o mundo, que um celerado laranja — que fez fortuna alugando imóveis precários a famílias pobres —, e que, graças a um movimento orquestrado por Steve Bannon para criar líderes de extrema-direita (vide no Brasil Jair Messias Bolsonaro e, na Argentina, Milei), abre a boca para dizer, no auge da sua ignorância histórica e literária, que vai dizimar uma civilização inteira.
É abjeto o rumo atual que o Irã tomou.
Mas dizimar uma civilização inteira — ou um homem sequer — equivale a dizimar toda a nossa própria história enquanto humanidade.
Ainda mais se tratando dos herdeiros do Império Persa.