COMO O GOSTO MASCULINO SE IMPÕE AO CORPO FEMININO NAS ACADEMIAS

Eu sou magro, mas estou na moda — posso dizer hoje, com a atual tendência de beleza da sociedade, em que se usa canetinha emagrecedora ou se contrabandeia disciplina para simular uma que não se tem.
Mas, na academia, isso não é novo.
Um amigo de longa data, brincando — mas como todos sabemos, com sua dose de verdade — disse que me indicaria algo com que eu ganharia uns 10 quilos facinho.
Na verdade, eu não precisava de tanto.
Estou com 58 quilos, e meu objetivo é 64 quilos — ou seja, apenas 6 quilinhos. Eu, que já pesei quase 80.
Mas uma coisa é pesar 64 quilos ou mais com mais de 20% de gordura.
Outra, muito diferente, é chegar aos mesmos 64 quilos mantendo meus atuais 8% de gordura corporal e o resto de massa magra.
Totalmente diferente, percebem?
E é isso que as drogas — como anabolizantes ou “canetinhas” — oferecem.
Uma das cenas mais ridículas, pederastas e homoafetivas que já presenciei na vida foi um sujeito claramente usuário de esteroides sendo cercado por instrutores e outros usuários (e aqui o substantivo “usuário” não poderia ser mais adequado), todos tietando.
Ajudando a carregar o peso desproporcional que ele só consegue levantar por causa dos músculos anabolizados.
Levando água.
Limpando seu suor.
No fim, o que é o Mr. Olympia, afinal?
Ganha quem suporta levar mais picada.
Para mim, quem é realmente privilegiado geneticamente é alguém de 30 anos, sedentário, que não é sarcopênico e não tem barriga, mesmo comendo alimentos hiperpalatáveis.
E esses seres malditos existem!
Voltando ao ponto principal.
Na academia, como na vida em geral, nos corpos, nas roupas, impera a falta de elegância e a submissão à tendência dominante.
Cria-se um campo social e um habitus — como diria o sociólogo Pierre Bourdieu — um modo de agir inconsciente, adquirido pela influência do ambiente.
E nele, o que importa é crescer indefinidamente, niilisticamente, mesmo sem preocupação com a gordura.
A não ser que você vá competir.
Mas mesmo nos campeonatos, o resultado não é estético.
Ora, quem chancela isso não sou eu — é o mundo do capital e da moda.
Nenhuma marca relevante patrocina eventos de maromba, a não ser marcas de suplementos.
Os corpos buscados pela indústria da moda são os “skin”, fitness, corpo de modelo — modestamente, shapes mais próximos do meu.
A fórmula 1 da definição muscular masculina é simples:
abdômen definido.
Ponto final.
Definição é ter algo para esconder — e não ter nada para mostrar.
Porque nem tudo que é grande é bonito.
Quando você é feio e cresce, você aumenta a percepção da sua feiura.
E aqui entramos, finalmente, no problema do título.
Os professores e personal trainers lidam com o corpo feminino seguindo um padrão masculino de beleza.
Não consideram a feminilidade.
Não consideram a estética.
Apenas reproduzem o habitus da maromba:
crescimento, volume, excesso.
O resultado?
Corpos disformes.
Sem simetria.
Sem delicadeza.
Sem sutileza.
Sem feminilidade.
Masculinizados.
Fortes — porém esteticamente falhos.
Inaceitáveis sob o olhar de um esteta ou do mundo da moda.
Se você acha que não tenho capital simbólico para dizer isso, observe o Instagram da Isabela Drummond.
Observe o corpo.
E observe as marcas às quais ela se associa:
Chanel, Audi, Vogue, Dior.
Alta costura.
Agora me diga:
qual marca relevante patrocina uma atleta de fisiculturismo?
Ou o tal do Dino, que ganhou o Mr. Olympia?
Sem mais perguntas, meritíssimo!