O AMOR QUE SE DÁ É IGUAL AO AMOR QUE SE RECEBE?

Eu sempre quero acreditar naquela frase do último disco de despedida dos Beatles —
que talvez para eles seja verdadeira,
mas que, para mim e para a maioria dos mortais, não:
que, no final, o amor que se dá é igual ao amor que se recebe.
Um dos efeitos colaterais — ou sintomas — da ausência do amor
aparece diante de cenas de amor em filmes (ou séries):
uma certa sudorese, mal-estar, taquicardia, inquietação.
Como eu vendo o clipe de End of the F***ing World,
a Elisa dançando com o garoto estranho cujo nome esqueci.
Talvez até o nome da garota esteja errado.
Não importa.
A única coisa verdadeira é o sintoma de mal-estar.
Até o sentimento deve ser mentiroso.
A ocasião, em todos esses anos, em que acreditei que a frase dos Beatles pudesse ser verdadeira
foi quando li “ela” dizendo que queria que eu fosse feliz —
seja com quem fosse.
Ora, só se deseja isso a quem se ama de verdade.
Eu acho…
A felicidade da pessoa que amamos em primeiro, até em detrimento da sua própria.
A DÚVIDA
Mas, depois de tanto tempo de silêncio e espera,
acho que estou enganado.
E talvez a resposta do amor que dei tenha vindo de outra forma.
Ou, na verdade, proporcionalmente.
Mas por outra pessoa.
Da forma que ela pudesse retribuir.
Porque uma, até onde sei, por ser solteira, desejava que eu fosse feliz.
Outra, talvez, desejasse ser solteira para que fosse feliz comigo.
Eu já não tenho controle absoluto sobre os textos que dedico às musas que me inspiram.
Apenas quando eles me retornam em forma de estatísticas.
É quando percebo a eventual verdade da música dos Beatles:
que o amor que dei ao escrevê-lo é o mesmo que recebi em resposta.
Pelo menos para algumas pessoas.
Para as mais próximas — fisicamente e no tempo — e mais improváveis.
Agora, as mais distantes continuam distantes.
Na impossibilidade de ser correspondido, eu só gostaria de ser justo em retribuir o carinho de quem realmente gosta de mim.