O BRASILEIRO É MUITO TRANSÃO

Eu ando muito.
E vocês devem imaginar a quantidade de cartelas de tadalafila e pacotes de camisinhas que encontro pela rua diariamente.
De todas as quantidades, tamanhos e marcas.
O que só me faz concluir que o brasileiro é um povo muito transão.
E econômico.
Já que as camisinhas que costumo ver são sempre gratuitas.
E, como jogam no chão, imagino que também economizaram no motel.
Outra coisa que descobri é que nas ruas vão parar as tampas das canetas que a gente perde.
De todas as cores.
Embora algumas sejam muito pequenas ou grandes, roxas, transparentes — até mesmo meio ovais.
Até me assombra que hoje as pessoas não escrevam mais tantas cartas, tamanha a quantidade de tampas de caneta esferográfica que encontro na rua.
Principalmente em vielas — ou perto de portas de bares.
Eu acho que não sou transador igual ao brasileiro médio.
Baseado nessa antropologia sexual das ruas de São Paulo.
É que eu também tomei a decisão de só me relacionar sexualmente quando eu casar — ou namorar.
Acontece que, até hoje, eu nunca namorei, tampouco casei.
O que você deve imaginar que reduziu drasticamente a quantidade de relações sexuais que tive na vida.
Diria que daria para contar nos dedos das mãos — mesmo que eu só tivesse os tocos.
Mas, em compensação…
é cada troca de olhar — e cada textão que eu escrevo.