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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

TAME IMPALA É A MELHOR BANDA DOS ANOS 70 DO SÉCULO XXI

 


 


 

O TEMPO E O RITMO

É muito mais saudável essa minha maneira atual de acompanhar, com delay de anos, discos e filmes, do que quando eu fazia questão de acompanhar tudo pari passu.

 

No tempo do Festival de São Paulo — um dos mais importantes do mundo, com duração de cerca de um mês, reunindo grandes cineastas e filmes do mundo inteiro —, eu assistia até três filmes por dia.

 

Para isso, almoçava, tomava café e, às vezes, jantava na região da Paulista.

 

Caro e divertido.

 

Porém, o Cinesesc, na Augusta, fazia — não sei se faz ainda —, anualmente, a retrospectiva dos melhores filmes do ano.

 

Um cinema com bar-café, cabine para escrever, em que, por eu ser “estudante”, pagava 5 reais no ingresso.

 

No entanto, se incluísse um cabernet sauvignon e um pão de queijo, saía tudo mais caro.

 


 

A ESCUTA

E música é algo que escuto desde sempre.

 

Lembro de ouvir “15 anos”, do Ira!, e parecer que eu nunca faria 15 anos.

 

Este ano, se não perdi as contas, farei 35.

 

Por aí você tem uma ideia dos anos que escuto boa música — muito por influência dos discos e DVDs que herdei do meu irmão.

 


 

O ENCONTRO

Em 2012, conheci Tame Impala, que chamou muito a minha atenção com o single Feels Like We Only Go Backwards.

 

Música incrível.

 

Que mistura rock psicodélico e música eletrônica — muito parecido com MGMT.

 


 

O PROBLEMA

Porém, essas bandas modernas, como diz Noel Gallagher, do Oasis, têm boas músicas, mas não costumam ter bons discos.

 

Meu irmão tem uma visão mais ou menos irônica desse fenômeno do sucesso que não se repete.

 

Quando falei para ele que o diretor de Parasita lançou um novo filme, ele disse que dificilmente será tão bom quanto o vencedor do Oscar.

 

Porque é como querer que Leonardo da Vinci pintasse duas Monalisas.

 

Não.

 

Monalisa, o cara só consegue fazer uma.

 


 

O RETORNO

Deixei o Tame Impala em hiato.

 

E, anos depois, eles ressurgiram numa pegada mais pop, com dois outros singles incríveis:

 

The Less I Know the Better — num clipe que lembra, de forma enviesada, um “Morro dos Ventos Uivantes” —

 

e Let It Happen.

 


 

 

A reDESCOBERTA

Mas ontem descobri o disco do ano passado ao ver um clipe de Loser no YouTube, praticamente filmado em plano-sequência.

 

Cuja música é igualmente muito boa — e que colocarei na capa do meu site amanhã.

 

Então escutei o álbum inteiro.

 

E me surpreendeu.

 

Une o toque de rock eletrônico psicodélico inconfundível do Tame Impala com um leve flerte com cumbia — se é que isso era possível.

 

Além dessa faixa, adorei Dracula e My Old Ways.

 


 

A FORMA

Parece que cortar o cabelo — ao contrário de Sansão — fez muito bem para a mente criativa de Kevin Parker.

 


 

AS INFLUÊNCIAS

Uma das coisas mais legais no YouTube é ver as escolhas dos artistas e diretores no Criterion Colection Closet — uma espécie de acervo com todos os filmes em Blu-ray e DVD que já relançaram.

 

Os artistas entram, escolhem e explicam suas preferências.

 

Vi uma cópia descarada dessa série chamada What’s in My Bag?, da Amoeba, só que em uma loja de discos.

 

E é interessante entender a influência de Kevin Parker ao escolher Rush of Blood to the Head, do Coldplay — disco que eu adoro —, além da banda grunge Silverchair e  Queen of Stone Age, da eletrônica Orbital e de discos psicodélicos dos anos 70.

 


 

O GOSTO

Nossas preferências sempre denunciam nossas inclinações estéticas e artísticas.

 


 

CRISTO DE GUITARRA

É por isso que, em pleno século XXI, Kevin anda com camisas floridas e chinelo de dedo — quase como Jesus Cristo.

 

Com tanta coisa ruim atualmente, Tame Impala é uma das poucas que continuam boas.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 04/04/2026
Alterado em 04/04/2026
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