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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

“A VIRADA DE CHAVE” DE ESLEN DELANOGARE

 


 


 

A TESE

Esse texto é uma prova da tese de que a origem do homem é a vontade de potência nietzschiana, usando como plano de fundo a vida do neurocientista Eslen Delanogare, em toda a sua essência e contradição.

 


 

O COMEÇO

Antes de virar neurocientista, Eslen relata que sofria tanto bullying na escola que começou a ver vídeos no YouTube do Ronaldinho Gaúcho, até que passou a jogar melhor.

 

Com isso, começou a se sociabilizar e até mesmo passou em uma peneira na Ponte Preta.

 

Mas não conseguiu ir para Campinas, por falta de dinheiro.

 

Ora, Eslen gosta de dizer que hoje é rico e feliz.

 

Mas, como a essência do homem é vontade de potência — e irei demonstrar a seguir com a exposição do relato de caso da própria vida dele —, se talvez ele tivesse seguido na Ponte Preta, hoje teria idade para jogar sua última Copa do Mundo.

 

Quem sabe não seria o capitão da lateral direita da seleção brasileira, levantando o hexa com Ancelotti, que na comemoração estaria mais bêbado que o Vampeta dando cambalhota na rampa do Planalto no penta?

 

E o neurocientista, reservatório de dopamina — todo esse papo coach — talvez nunca tivesse existido.

 

E, na verdade, ele fosse muito mais feliz vivendo hedonicamente, famosamente, atendendo ao seu instinto primordial:

 

que, como demonstrarei, é dar alegria às pessoas e satisfazer seu ego.

 


 

O NÃO DITO

É claro que acompanho a vida dele só superficialmente.

 

Mas ele gosta de citar como, através do conhecimento, em determinado momento, percebeu que precisava se expor nas redes sociais.

 

E expor suas teses de vida:

 

de que o tratamento psicológico tem mudanças fisiológicas e científicas, que a excelência é mundana, que motivação vale mais que disciplina, etc.

 

Todos conhecimentos que angariou através do estudo da neurociência e da psicologia.

 

Porém, o mais importante é sempre o que não é dito — o implícito.

 

Como o fato de ter diagnóstico de transtorno bipolar.

 

E de, em um momento de desespero e penúria — quando ninguém via seus vídeos —, ter chegado a quebrar uma porta.

 


 

O DESLOCAMENTO

Ele sempre teve tendência à exibição e ao hedonismo.

 

Tanto é que fumava, enchia a cara na adolescência e fumava maconha na faculdade.

 

Mas, como explica Espinosa, um afeto só é superado por outro mais potente.

 

E foi isso que aconteceu com Eslen.

 

Ele superou o vício em cigarro através do vício em ser conhecido:

 

como o cara da corrida, disciplinado, estudioso.

 

É por isso que transmitia suas corridas como um Big Brother nas redes sociais.

 

E depois se cansou.

 

Assim como se cansou do futebol — e passou a ser triatleta.

 

Se cansou — e foi para o fisiculturismo.

 

Se cansou — e passou a estudar filosofia moral.

 

Se cansou — e passou a fazer jiu-jitsu.

 

Tudo incompleto e inacabado.

 

Seguindo a tendência inconsciente da sua vontade de potência.

 


 

O AMOR

E ela aparece ainda mais claramente na sua tendência libidinal — ou amorosa, se quiser um termo mais romântico.

 

Há uns dois anos, ele falava por que vivia sozinho — e era feliz.

 

Ou criticava a espetacularização das redes, baseado nas críticas de Vargas Llosa.

 

E criticava em vídeo uma sociedade que não sabe a diferença entre os “porquês”.

 

Anos depois, tem uma filha imprevista fora do casamento, com uma médica que não sabe usar um vocativo — mas que se diz “entusiasta de leitura”.

 

Dos mesmos criadores de “tenho o hábito de leitura”, agora os “entusiastas de leitura”.

 

O que é um entusiasta de leitura?

 

Alguém que vê um livro e fica entusiasmado, tipo eufórico?

 

Me parece aquela piada do Groucho Marx:

 

“do momento em que viu o livro até o momento em que o deixou, não conseguia parar de rir.

 

Um dia eu pretendo lê-lo.”

 


 

A MINHA VONTADE

Prefiro dizer como Ariano Suassuna:

 

eu não tenho o hábito da leitura.

 

Eu tenho a paixão da leitura.

 

Essa é a minha vontade de potência.

 

Assim como a de avaliar e de escrever.

 

Assim como a de Eslen é a de lucrar e aparecer.

 

Como ficou claro naquele episódio em que cobrou, no pré-lançamento do seu livro de estreia — pasmem —, 75 reais.

 

E disse que tinha a intenção de incentivar o hábito de leitura em quem não lê.

 

Mais vontade de potência maior que essa — impossível.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 03/04/2026
Alterado em 03/04/2026
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