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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

UM FILHO INDESEJADO É PIOR QUE QUALQUER VÍCIO.

 



 

Há escolhas que não viciam — aprisionam.

 

E talvez nenhuma seja tão irreversível quanto colocar uma vida no mundo sem desejá-la.

 


 

VÍCIO E HÁBITO

Vícios e hábitos são a mesma coisa.

 

A diferença é que chamamos de vício aqueles hábitos que persistem mesmo com claros prejuízos para nós.

 

É possível se viciar em comportamentos também.

 

Como exercícios físicos, estudar — ou, pelo contrário, apostas, pornografia.

 

São todos hábitos.

 


 

O VÍCIO ACEITO

Há os vícios meio aceitos pela sociedade.

 

Daqueles dependentes químicos crônicos que dependem de drogas lícitas para viver:

 

como quem sofre de colesterol alto, hipertensão — ou mesmo ansiedade generalizada.

 

Cronicamente, alguém com hipertensão ou hipercolesterolemia corre mais risco do que um dependente químico clássico, digamos assim.

 

Basta analisar o documentário Muito Além do Peso, em que um garoto de apenas 4 anos, devido ao consumo de alimentos industrializados, contraiu doenças crônicas irreversíveis — que não são encontradas nem em adictos veteranos.

 

O risco do dependente químico ilícito, sem dúvida, é agudo — uma overdose.

 

Mas, cronicamente, o dependente químico decorrente de um estilo de vida desadaptativo corre muito mais risco de vida.

 


 

O PIOR DE TODOS

E, de todos os vícios, um filho indesejado é o pior deles.

 

É o que causa maior impacto negativo no mundo.

 


 

O PESO

Uma vida é muito cara — financeiramente e psicologicamente.

 

Quando você coloca uma pessoa no mundo, a vida mais importante deixa de ser a sua.

 

É uma grande responsabilidade moral.

 

As mulheres sentem mais essa sina, já que, acima de tudo, carregam o rebento e sentem a dor do parto.

 


 

A TENSÃO

É por isso que as mulheres têm duas vocações — como no filme de 1973, de Jean Eustache, clássico da Nouvelle Vague com Jean-Pierre Léaud:

 

a de ser mãe ou puta.

 

 

A figura da mãe é a que se ama, mas não se deseja.

 

E a da puta é a que se deseja, mas não se ama.

 

Muitas, para serem mães, abrem mão da sua vocação de serem desejáveis — de mulher — para se tornarem exclusivamente mães.

 


 

A RENÚNCIA

Essa é a pior renúncia.

 

O pior vício, ao meu ver.

 

Porque acho que o que faz a mulher ser uma boa mãe é justamente o seu instinto feminino.

 

Eu não acho que “puta” seja um xingamento.

 

Pode ser um elogio, no contexto certo.

 

Assim como chamar uma mulher de gostosa também.

 

Agora, ser uma mãe ruim é sempre negativo.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 03/04/2026
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