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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

A BONDADE SÓ É POSSÍVEL POR CAUSA DO PECADO!

 


 


 

O MAL COMO CONDIÇÃO

É uma ideia que vem, acredito, desde a escolástica, com Tomás de Aquino — preciso consultar meus alfarrábios para rememorar —, talvez também em Leibniz:

 

de que o bem só é possível por causa do mal.

 

E, se Deus não tivesse criado o mal, o mundo seria estático.

 

Portanto, nada haveria.

 

Concluem, belamente, que Ele não intervém no mal justamente para dar a liberdade de aprendizado a seus filhos — como um pai que se retira, mas observa e guarda.

 


 

AS CONTRADIÇÕES

Parece-me coerente.

 

Muito mais coerente do que as visões antagônicas do Novo e do Velho Testamento:

 

de um Deus carrasco e punitivista para um Deus julgador, que separa virtuosos, pecadores e santos.

 

É a visão de Paulo de Tarso — não propriamente a de Cristo.

 

Porque, na verdade, o cristianismo deveria ser agir como Cristo agiu:

 

essa resignação diante de quem te ofende, de dar a outra face para o inimigo bater, de amar os outros como a si mesmo.

 

Porém, Paulo, com as epístolas, ao transformar os ensinamentos de Cristo em dogma, criou a religião.

 

E é legítimo discutir até que ponto a Igreja criada por Paulo — ou ainda seria Saulo? —, e até que ponto podemos confiar na conversão de alguém que deturpa tanto a fé primordial…

 

se não contribuiu para a origem do preconceito entre os homens.

 


 

O GERME

Em vez de ensinar, como Cristo, que todos somos irmãos e igualmente dignos de amor, ao contrário:

 

separam-se pecadores e santos, joio e trigo, virtuosos e viciosos.

 

Se isso não se parece muito com o germe do preconceito — da xenofobia, do racismo, da misoginia…

 

que, em vez de unir, claramente separa e desvirtua.

 

Pois quem se acha bom, acha-se bom à sua própria imagem e semelhança — e à de seus pares.

 

Prova disso é quando se defende “Deus, pátria e família” e se revela hipocrisia:

 

como ao sugerir que um cemitério deveria ser construído perto da prisão para o caso de alguém morrer…

 

mas, quando se trata dos seus, pede-se prisão domiciliar.

 

Ou quando alguém ironiza mortes durante uma pandemia — sendo, ele próprio, responsável por muitas delas — e diz que “não é coveiro”.

 

Pode ser tudo.

 

Menos uma pessoa boa.

 


 

O PECADO COMO CAMINHO

O pecado, o erro, a vergonha, a pusilanimidade — ao contrário — são essenciais para a evolução do homem e seu arrependimento.

 

A cada vez que peco, percebo, me arrependo e mudo, estou mais perto da evolução humana.

 


 

O INFERNO

É por isso que uma visão escatológica que pune o pecado com a danação eterna em fogo me parece contraditória à ideia de um Deus que morre pelos nossos pecados.

 

Seria maldoso demais acreditar nisso.

 

Alguém moldado pela minha visão — que não acredita em pena de morte — defender, ao contrário, a danação eterna?

 

Me parece uma ideia muito anticristã a do inferno.

 

Embora, às vezes, o inferno apareça aqui na Terra mesmo.

 


 

A ALTERNATIVA

A ideia do espiritismo, de evolução constante durante a vida — e até outras vidas —, me parece mais benevolente.

 

Mas igualmente mítica.

 

E conservadora em relação da mudança real na única existência apreensível para cada um de nós: esta.

 


 

A CONCLUSÃO

Se há possibilidade de santidade é na vida mesma, então ela só é possível por intermédio do pecado.

 

Porque é errando que se aprende — e é aprendendo que se transforma.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 02/04/2026
Alterado em 02/04/2026
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