MEU MAIOR SONHO NÃO É UMA CASA PRÓPRIA OU UM CARRO. É UMA RESPOSTA SUA.

Desde os seus 19, nutro esse mesmo objetivo.
Com hiatos, como em todo sonho — sempre retorno a ele, como em todo pesadelo.
Hoje, com o encurtamento das distâncias, pareceria tão simples realizar meu desejo.
Só que ele não depende só de mim.
Diferentemente de um bem material — de um carro, uma casa, um jatinho —, por mais caro que seja.
É como no filme Parasita.
Eu diria que a situação mais improvável de tudo que acontece ali é o filho realmente conseguir ter dinheiro para comprar a casa e libertar o pai.
Talvez o meu seja ainda mais improvável.
Mas que bem material poderia se equiparar a uma resposta dela?
A companhia dela é mais valiosa que qualquer moeda.
Pois não inflaciona jamais.
E, em mais de dez anos, só aumentou de valor.
Hoje, não há uma notificação que me fizesse interromper o que eu estivesse fazendo para ler no exato momento em que a visse — e responder imediatamente como a dela, de modo tão urgente quanto respirar.
A capacidade de ficar sem respirar por tanto tempo é outra grande prova da capacidade de adaptação do homem — por minha parte — e deveria estar em uma próxima revisão de A Origem das Espécies, de Darwin.