NÃO LEREI MAIS OS IDIOTAS NO RECANTO DAS LETRAS.

Primeiro, tal qual um filósofo analítico, explicarei, irrefutavelmente, por que eles são idiotas.
Movido por um desejo meio sadoliterário, eu os lia só pelo prazer de ler uma asneira, passar raiva e depois exibir sua idiotice.
Mas agora percebi que estava dando audiência para idiotas.
E é tudo que um idiota quer: atenção.
É como dar um revólver para um macaco.
Para um “macaco” idiota, deram o Recanto das Letras.
Para um de armadura também.
Não sai da boca deles nenhuma palavra revigorante — só hostilidade, repetição, asneiras, ressentimento, falta de respeito com pobres, marginalizados, minorias.
Até com quem já sofre ou sofreu com drogadição.
Sempre relacionando um problema que é material e estrutural a uma redução moralista, para caber no argumento raso deles.
Aí me dei conta também de que eles nunca citam autores neoliberais ou literatura conservadora que dizem defender.
Mas criticam obras difíceis, como as de Paulo Freire e a Escola de Frankfurt.
Então cheguei à conclusão óbvia:
se eles não leram nem os autores que formaram a própria "ideologia" deles, é claro que não leram quem a critica.
E tudo que escrevem são bravatas sem embasamento intelectual.
No máximo, leram o pornofilósofo Olavo de Carvalho.
Se fosse Olavo Bilac — da última flor do Lácio — não seriam idiotas.
Agora explicarei o que é um filósofo analítico — caso um desses idiotas leia este texto.
O filósofo analítico, ao contrário da filosofia continental — que muitas vezes é propositalmente hermética, como certa epistemologia francesa — tenta ser compreendido.
Escreve de forma didática, com clareza conceitual.
Uma contemporânea, por exemplo, escreveu sobre qual o sentido da vida.
Para ela, uma vida tem sentido quando você sente prazer em fazer algo — e esse algo tem utilidade para a humanidade.
Por exemplo: eu escrevendo.
Eu gosto — e não tenha dúvida de que quem me lê, como neste texto, sairá mais sabido.
Portanto, é útil para a sociedade.
Pelo contrário: alguém pode ser médico — que é útil —, mas não gostar.
Ou um idiota desses, que já parei de ler há algum tempo, pode gostar de escrever — mas não escrever nada de útil para a sociedade.
Portanto, a vida dele não tem sentido.
Agora que descobrirem qual o sentido da vida.
Então, só falta descobrir qual é o sentido do sentido da vida.