× Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

COMO SERIA BOM UM MUNDO SÓ DE MULHERES! E COMIGO APENAS.

 


 


 

No jogo Mil Vezes Resista, há um universo ideal só com mulheres — na verdade, uma reprodução da mesma mulher, talvez a Eva original em outras formas.

 

A única voz masculina é o seu guia — a voz de uma criança, símbolo de pureza e inocência.

 

No meu metaverso ideal — que, ao contrário do de Zuckerberg, não iria falir — só haveria mulheres, e eu seria o único homem existente.

 

Meu projeto não é criar mulheres novas, mas exclusivamente tornar o mundo melhor eliminando todos os homens.

 

As mulheres que existem hoje o habitariam.

 

E as novas, obviamente, ou seriam criadas por inseminação, como em Admirável Mundo Novo, ou, mais obviamente ainda, seriam minhas filhas.

 

Não quero que os homens morram — só que desapareçam.

 

Eles poderiam ir para a machosfera. Muitos iriam gostar.

 

E lá concorreriam à presidência: Trump, Milei, Bolsonaro.

 

Seria acirrado — e talvez resolvessem com guerra.

 


 

O COTIDIANO

Nesse universo hipotético e perfeito, eu iria ao supermercado e seria atendido por uma mulher. Quem repõe as mercadorias são mulheres.

 

No ônibus, motoristas e cobradores: mulheres.

 

“Bom dia”, digo eu — e, em vez de uma presença mal-educada e gutural, a voz perfumada e agradável de uma mulher responde: “bom dia, David”.

 

Já que sou o único homem, o único diferente, todas saberiam meu nome.

 

Lá vou eu caminhar — no sentido inverso da minha caminhada, mulheres.

 

Mulheres levando o cachorro para passear.

 

Certamente, o que mudaria é que não haveria tantos carros nas calçadas, e as motogirls não seriam imprudentes no trânsito. Em vez de encontrar um marginal cuspindo em plena estação de trem, me depararia com mulheres plantando flores, ou lendo livros na varanda, ainda que seja de Augusto Cury, O Moinho dos Ventos Uivantes, 50 Tons de Cinza ou Crepúsculos, já seria uma grande evolução ao repertório masculino médio. Aliás, a própria palavra “masculina” seria abolida arbitrariamente, assim como acontecia no livro de Aldous Huxley.

 


 

POESIA

Como toda mulher é poeta, meu site teria muito mais leituras.

 

Talvez todo o universo me lesse.

 

Porque as mulheres são amigas das coisas boas.

 

Como diz Leminski: há tanta poesia no leitor quanto no emissor da poesia — aquele que é capaz de perceber a beleza da linguagem é também poeta.

 

E todas as mulheres são capazes.

 

Portanto, poetas são todas elas.


 


 

SEGURANÇA

E elas não precisariam se preocupar.

 

Como eu seria o único homem, obviamente não correriam risco algum.

 

Não haveria hostilidade, feminicídio, agressão contra mulheres.

 

Só a ode à mulher — que me inspiraria na escrita, sem estar contaminado pela osmose da hostilidade do masculino.

 


 

O PARADOXO

E eu seria promíscuo nesse universo, já que seria o único homem?

 

Claro que não.

 

Eu teria a mesma postura de agora.

 

Não tenho o direito de namorar e, com isso, tirar a chance ou o sonho de outras mulheres terem algo comigo.

 

Por isso gosto de estar à disposição.

 

Mas continuaria vivendo solitário — profundamente solitário — me relacionando apenas com quem, nesse universo de mulheres, eu tivesse uma conexão mística.

 


 

 

ASSIMILAÇÃO

Com a convivência, elas até assumiriam que eu sou como elas.

 

Apenas masculino e diferente.

 

Melhor dizendo:

 

alguém como elas — e que, como elas, if you know what I mean.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 28/03/2026
Alterado em 29/03/2026
Comentários