A barriga da mulher grávida parece possuir um ímã — um campo magnético que atrai mãos, sobretudo em fotografias.
Eu, particularmente, confesso que, dependendo da mulher, não é apenas a barriga que desperta esse impulso, mas o corpo inteiro, que assume uma beleza peculiar: uma maturidade ao mesmo tempo terna e solene, quase angelical em sua forma arredondada.
Há algo ali que parece pedir não só contemplação, mas também contato — como se aquela estética transitória devesse ser preservada no toque, no gesto, no desejo de aproximação.
E, se alguém reage com escândalo — “como você ousa?” —, talvez valha lembrar: nunca uma vida esteve tão protegida da brutalidade do mundo quanto nesse espaço inaugural, talvez o lugar mais seguro e amoroso que existe.
Não por acaso, o nascimento é acompanhado pelo choro — como quem é abruptamente retirado de um estado absoluto de conforto.
Enquanto isso, a própria ciência reconhece: o movimento, o exercício e a vitalidade durante a gestação são benéficos tanto para a mãe quanto para a criança.
Talvez, então, haja aqui menos transgressão do que se imagina — e mais uma tentativa, ainda que ambígua, de conciliar o útil ao agradável.