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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

CHEGA DE MATAR NOSSAS MULHERES!

 


 

ÓZIDEIA DESSE CARA

 

 


 

 

 

 

O tal “macho alfa”, tenente-coronel, forjou o assassinato da própria esposa.

 

Não há aqui força. Há encenação. Há teatro de potência onde só existe falência. Em um relacionamento cujo diálogo é tão pobre, já está tudo acabado — a ponto de uma conversa assim acontecer pelo WhatsApp, e não pessoalmente.

 


 

RESSENTIMENTO E ESPÍRITO DE VINGANÇA

Em Nietzsche, uma das críticas mais incisivas talvez seja justamente aos conceitos de ressentimento e espírito de vingança.

 

O ressentimento surge quando um indivíduo não consegue expressar sua potência — seu tesão, seu desejo, sua vontade de externalizar-se no mundo. Incapaz de afirmar-se, ele se dobra. E, ao dobrar-se, precisa apontar um culpado.

 

Então projeta: constrói um inimigo externo. A mulher, o outro, o mundo.

 

Essa é a ótica de todo movimento red pill, da teoria da machosfera que prospera na internet, e da misoginia: o espírito de vingança de quem se sente impedido de gozar aquilo que acredita ser seu por direito.

 

Mas isso não é potência. É o contrário.

 

É a assinatura de um indivíduo reativo, impotente — embora ele ainda precise acreditar que é exatamente o oposto.

 


 

O TEATRO DO PROVEDOR

Surge então a ideia de que, porque um homem é provedor material, ele seria superior à mulher ou aos demais homens.

 

Mas essa superioridade quase sempre vem embalada em slogans externos: “sou religioso”, “sou trabalhador”.

 

E, não raramente, isso é apenas o subterfúgio do vagabundo preguiçoso — aquele que usa as facilidades simbólicas para não precisar pensar, estudar ou trabalhar de fato.

 

O que possui não foi produzido por um gesto ativo de vida, mas por um fluxo de consequências sociais que o carregaram até ali.

 


 

APARÊNCIA, SABEDORIA E FARSA

Veja: grandes figuras do pensamento raramente foram agradáveis ao olhar público.

 

Diógenes, por exemplo — a ponto de Alexandre, o Grande, dizer que, se não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes. Ou Sócrates.

 

Há também aquela figura — de um livro famoso — tida como um mendigo intelectual, que andava com um calhamaço de papéis nas mãos. Depois descobriu-se que não havia produzido nada.

 

Ao contrário de Leminski: barrigudo, sem dentes, fumando, com marcas de heroína nos braços — e ainda assim carregando seus papéis, seu Catatau, que viria a se tornar o nome de sua obra mais experimental.

 

A aparência nunca foi critério de verdade.

 


 

O OVO DA SERPENTE

O que está em jogo é mais profundo.

 

O ovo da serpente da maldade não está no ato em si, mas no espírito de vingança e no ressentimento.

 

Foi assim no nazismo. E continua sendo agora.

 

Quando o indivíduo, em vez de investir no próprio desenvolvimento — no próprio gozo, na própria expansão — volta-se contra aquilo que supostamente o impede de fluir, ele transforma sua libido refreada em ódio.

 

E é dessa conversão que nascem os feminicídios, os preconceitos e todas as formas de violência que carregam, no fundo, uma energia libidinal frustrada.

 

Não é falta de moral.

 

É falência de potência.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 22/03/2026
Alterado em 22/03/2026
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