O MAIOR PECADO É NÃO DESEJAR A PRÓPRIA MULHER, NÃO A DO PRÓXIMO

A ideia que as religiões trazem de promessa de um paraíso com virgens após a morte, a noção de que com o tempo perde-se a tesão no relacionamento, ou mesmo o incentivo social para trair e se envolver com diversas mulheres, das mais variadas possíveis, remonta ao velho mandamento: não cobiçar a mulher do próximo.
Isso mostra como essa já era uma preocupação antiga.
Porém, muito pior do que cobiçar a mulher do próximo é não cobiçar a própria mulher — não desejar a própria mulher. Considero isso pecado capital.
Porque, se há traição, ela resulta primeiro da perda do amor e do desejo pela própria mulher.
Pode parecer capcioso sair com várias mulheres diferentes — etnias, biotipos e até idades diversas. Mas estar casado há anos e ainda desejar a própria mulher, sentir a mesma tesão como se fosse a primeira vez e como se não houvesse outra no mundo, contém muito mais desejo do que simplesmente cobiçar a do outro.
A consensualidade prazerosa adquirida com o tempo, de quem conhece o outro profundamente, faz com que cada encontro pareça sempre inédito.
Pode parecer difícil — quase uma beatitude —, mas essa é a chama verdadeira do desejo.
Achar a própria mulher bonita e atraente em diversas fases da vida: como “menina” no início do relacionamento; como mulher e esposa; como mãe, na gravidez; na maturidade; e até no estertor da vida, quando o desejo se transforma naquela ternura desinteressada de quem já não tem olhos para mais ninguém.